Rússia compra 50% da carne in natura brasileira
O volume de carne bovina exportada cresceu 3% em volume no mês de setembro, recuperando-se de quedas em meses anteriores e surpreendendo de maneira positiva Roberto Gianetti da Fonseca, presidente da Abiec - Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, que divulgou hoje os números. Foram embarcadas 124,4 mil toneladas no mês passado.
Mas Gianetti comemorou mesmo foi o faturamento de 533,3 milhões de dólares apurados em setembro, 52% acima do mesmo mês no ano passado. Já de janeiro a setembro o faturamento é de quase 4 bilhões de dólares. "O consumo mundial de carne brasileira tende a subir, apesar da forte crise no setor financeiro. O faturamento deste ano deve ultrapassar 5,2 bilhões de dólares e a nossa aposta é de chegar a 15 bilhões de dólares em 2013", diz.
O dirigente se baseia na entrada da carne nacional em países como o Chile, que deverá voltar à importação, e os da União Européia. Além disso, a Rússia, principal compradora do produto, e países como o Irã e a Venezuela estão aumentando os embarques. A Rússia, por sinal, foi o maior comprador no período de janeiro a setembro deste ano, abocanhando 50% do mercado de carne in natura.
"A Rússia tem uma população de 150 milhões de habitantes e um rebanho bovino de 22 milhões de cabeças. Diante desse quadro, deve adquirir muito mais carne do Brasil". A Rússia gastou mais de um bilhão de dólares com as compra de produto brasileiro. Já a Venezuela, de Hugo Chaves, e o Irã, de Mahmoud Ahmadinejad, importaram nos primeiros nove meses, respectivamente, 11% e 7% do total de carne in natura. Gastaram 234 milhões e 157 milhões de dólares.
O consumo mundial de carnes bovina, suína e de frango deve crescer 19% deste ano até 2017, segundo projeções feitas pela Abiec sobre dados da FAO - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. "Mesmo com o terremoto financeiro, estamos sendo conservadores", afirma Gianetti.