Pânico paralisa mercados
O preço da soja para os contratos vincendos em janeiro tomaram um tombo de 6,94% durante o pregão de ontem em Chicago. A alta do dólar frente as demais moedas, as significativas quedas nas bolsas de valores internacionais e o nervosismo em todos os cantos do mundo fizeram com os contratos futuros chegassem aos seus limites de baixa..
No Brasil, a preocupação em relação ao desfecho de todo esse tumulto no mercado financeiro retraiu vendedores e compradores, informou o analista Flávio Roberto França Junior, da Safras & Mercado. As oscilações em níveis extremos foram suficientes para que os agentes do mercado constatarem que a posse de ativos reais e a melhor alternativa, seja grãos ou qualquer outro produto agrícolas. Vendê-los obrigaria a aplicar os recursos em instituições financeiras que pode não ser a melhor alternativa.
Como a soja, o milho teve a maior queda permitida pelo Chicago Board of Trade devido a especulações de que o um colapso nos créditos, em expansão, vá estimular uma desaceleração econômica global, diminuindo a demanda por comida, ração e combustível produzido a partir de vegetais.
O Federal Reserve vai dobrar os seus leilões de dinheiro para bancos para US$ 900 bilhões e considera medidas adicionais para aliviar os mercados de empréstimos de curto prazo. Os estoques globais caíram 7,5%, chegando ao nível mais baixo desde outubro de 2004, à medida que a Alemanha renovava as garantias a todas as contas poupança lá e a Dinamarca sustentava todos os depósitos bancários naquele país.
"Trata-se de uma falta de liqüidez global", disse Roy Huckabay, executivo vice-presidente do Linn Groupem Chicago. "Tudo está congelado, mesmo se a queda nos preços deixar os alimentos para as criações mais atraentes", afirmou .
O mercado futuro do milho para entrega em dezembro caiu 6,6%, para US$ 424 centavos de dólar por bushell para os contratos com vencimento em dezembro.
O milho caiu 16% durante a semana passada. Foi a maior queda do preço do grão desde pelo menos junho de 1973. Também foi expressivo o recuo do preço da soja: 17%, a maior queda semanal desde junho de 2004. O milho caiu 47% em relação ao seu recorde de junho e a soja perdeu 43% em relação da maior alta de todos os tempos em julho.
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 11)(Isabel Dias de Aguiar e Bloomberg News)