Atração fatal que rende boa safra de manga no semi-árido
Pesquisas realizadas pela Embrapa SemiAacute;rido em Petrolina (PE) demonstraram que a atração entre machos estéreis de moscas-das-frutas e fêmeas selvagens da mesma espécie deverão dar bons frutos nos cultivos de manga da região do Vale do São Francisco.
Segundo os pesquisadores, a aromaterapia com óleo de gengibre serve "para aumentar as chances desses espécimes copularem em condições ambientais como forma de reduzir a presença da praga nos pomares de manga para níveis baixos de infestação que não provoquem dano econômico à cultura".
Como principal área de produção de manga do País e maior pólo de exportação do hemisfério sul, o Vale, que abrange os Estados da Bahia e Pernambuco, tem 120 mil hectares de fruticultura irrigada. A Ceratitis capitata é uma das espécies de moscadas-frutas mais nocivas à fruticultura mundial. Causa danos diretos e indiretos que são mais prejudiciais porque estão relacionados ao custo das medidas regulatórias requeridas na hora da exportação a países que consideram esta praga de importância quarentenária, tais como Estados Unidos, Japão e Ásia.
BARREIRAS - Quantidades elevadas de mosca-das-frutas em regiões de cultivo impõem barreiras ao comércio da fruta brasileira. Os Estados Unidos, principal destino da manga exportada pelo Brasil, exigem que as áreas produtoras invistam em estruturas para monitoramento do inseto nos pomares e tratamento hidrotérmico dos frutos nas packing houses (as casas de embalagens).
"O controle biológico com inseto estéril, embora não resulte na abolição de produtos químicos, reduz a quantidade de pulverizações nos pomares e não tem restrição por parte da legislação fitossanitária internacional", afirma a pesquisadora Beatriz Aguiar Paranhos Jordão.
De acordo com a pesquisadora, o estrago na produção acontece quando as fêmeas depositam ovos debaixo da casca dos frutos quando eles começam a amadurecer.
"As larvas que eclodem dos ovos se alimentam da polpa da fruta e provocam o amolecimento do local, e a minúscula perfuração que é feita permite a entrada de fungos e bactérias, causando apodrecimento das frutas e inviabilizando o comércio dos frutos destinados ao consumo in natura e à indústria", ressalta a pesquisadora.
A mosca-das-frutas ataca frutos de plantas como abacate, citros, café, melão, pêra etc. Com capacidade para produzir 200 milhões de machos estéreis por semana, a Biofábrica Moscamed Brasil, instalada em Juazeiro há dois anos pelos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Ciência e Tecnologia (MCT), foi um investimento de aproximadamente R$ 20 milhões.
O Programa Moscamed Brasil prevê a liberação de cerca de mil machos estéreis por hectare. Uma das formas de se aumentar a eficiência desta técnica é liberando uma população nove a 100 vezes maior de machos estéreis em relação à população selvagem presente no campo.
A intenção é aumentar a probabilidade de fêmeas selvagens serem copuladas pelos insetos estéreis. No processo de esterilização, machos das moscas-das-frutas, ainda na fase de pupas, são submetidos à irradiação gama de Cobalto 60 ou ao raio X. A idéia faz parte dos estudos desenvolvidos pela pesquisadora Beatriz Jordão e está relacionada à capacidade de os insetos estéreis se dispersarem pelo pomar, sobreviverem e ainda terem um desempenho semelhante ao dos machos selvagens.
RESULTADOS - Segundo dados levantados pela Agência Internacional de Energia Atômica, para ser tecnicamente viável o projeto, é preciso que ocorra em condições de campo, no mínimo, 20% de cópulas entre insetos machos estéreis e fêmeas selvagens.
A pesquisa, desenvolvida com técnica de aromaterapia e realizada pela pesquisadora no Laboratório de Entomologia da Embrapa SemiÁrido, já teve resultados que comprovam que machos estéreis tratados aromaticamente com óleo de gengibre tiveram um aumento de 40% no índice de cópulas com fêmeas selvagens.
"Uma rede de instituições no Brasil e exterior participa dos estudos com essa técnica no Vale do São Francisco, a exemplo dos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Ciência e Tecnologia (MCT), Universidade de São Paulo, Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, Agência Internacional de Energia Atômica e Banco do Nordeste", diz a pesquisadora Beatriz Jordão.