O bezerro e os reflexos da crise inter nacional
A crise internacional não deve ter um reflexo direto no preço do bezerro brasileiro, que esteve 18 meses em alta consecutiva, segundo a equipe de pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo.
Mesmo com o pequeno recuo nos preços verificados nos últimos dois meses, o mercado físico do bezerro, na semana passada, em São Paulo, estava cotado em R$ 90,37 a arroba vendida à vista e R$ 92,91 a prazo. No mercado futuro da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a arroba foi negociada a R$ 97,57 para o próximo mês de novembro.
Os pesquisadores explicam que a retração nos preços nos últimos dois meses se deve à estiagem em vários Estados, com diminuição da oferta de forragem, mas que a tendência é o preço se manter elevado, já que a procura por bezerro ainda encontra-se maior que a oferta.
Segundo dados do Cepea/Esalq, os preços da carne bovina alcançaram, nos últimos meses, os maiores patamares desde 2001, quando a instituição começou a acompanhar a variação do produto. Tendo como base o mercado de São Paulo, referência de preços de boi gordo no País, o quilo da carne no atacado custava R$ 5,86 dia 8 de outubro enquanto que, no mesmo dia do ano anterior, foi R$ 4,06.
O reflexo da crise internacional, no entanto, pode atrapalhar projetos dos produtores de boi gordo. Há a expectativa de faltar crédito para as exportações. Assim, pode sobrar carne no mercado interno e, com isso, provocar retração nos preços do produto que, mesmo assim, ainda devem permanecer altos.