Enoturismo no São Francisco é o mais novo roteiro baiano
Enólogos e apreciadores de vinho em geral não precisam mais sair da Bahia para conhecer um complexo enoturístico.
No sábado, o mais novo produto turístico baiano foi lançado, em grande evento, na região conhecida como Lagos do São Francisco, no município de Casa Nova, a 573 quilômetros de Salvador.
A Fazenda Ouro Verde, de propriedade do grupo Miolo Wine Group, expandiu sua área de produção, criando novas instalações que incluem um receptivo, com salas de degustação, e loja de varejo, com todos os produtos da marca, que engloba sete empresas nacionais e estrangeiras e mais de 70 itens.
Inauguração – A cerimônia reuniu mais de 400 convidados, entre operadores de turismo, jornalistas, empresários do ramo hoteleiro e representantes do governo.
Ao lado dos diretores da Lovara, Osborne e Miolo, o governador Jaques Wagner e a presidente das Voluntárias Sociais, Fátima Mendonça, inauguraram a nova linha de engarrafamento.
As vinícolas investiram, aproximadamente, R$ 30 milhões no empreendimento, que deverá expandir a produção dos atuais 3 milhões de litros/ano para 10 milhões de litros/ano, até 2012, gerando 300 empregos diretos.
Terranova – "Decidimos expandir nossa produção para atender à crescente demanda pelos vinhos da linha Terranova que, desde a sua chegada ao mercado, vem conquistando um público fiel progressivamente", afirmou Adriano Miolo, diretor-superintendente da Miolo Wine Group, se referindo à marca, criada para identificar os vinhos produzidos na região do São Francisco.
Para se ter uma idéia do potencial do negócio, hoje, 15% dos vinhos finos produzidos no Brasil são oriundos do Vale do São Francisco.
Para o sócio Eurico Benedetti, a beleza da região e sua vocação como produtora de vinhos finos "a torna um ponto turístico potencial para o brasileiro e para os estrangeiros."
Escola de turismo – Durante o lançamento do Enoturismo baiano, o secretário Domingos Leonelli e o reitor da Universidade do Estado da Bahia, Lourisvaldo Valentim, acertaram parceria para a implantação, em Juazeiro, de Escola de Turismo, em cuja grade curricular constem disciplinas com características operacionais.
"É para que o aluno, assim que concluir o curso, esteja apto a entrar direto no mercado de trabalho", explicou o secretário.
De acordo com Leonelii, entre 2008 e 2009, o Estado investirá R$ 12 milhões em qualificação de mão-de-obra para o turismo, beneficiando diretamente 4 mil pessoas.
"Em gestões passadas, nunca se investiu mais de R$ 500 mil ao ano em capacitação profissional", informou.
Visitantes vêem a colheita da uva e a produção de vinho
Na Fazenda Ouro Verde, os turistas terão visitas guiadas aos parreirais e aos locais de produção e armazenamento, com acesso à cantina, clave subterrânea, engarrafamento, destilaria e sala de degustação.
Nos campos, os visitantes vão entender como o tempo de maturação e de exposição das uvas ao sol são essenciais para a qualidade do vinho.
Substâncias como taninos, açúcares e polifenóis, que dão corpo à bebida, são apuradas mais rapidamente.
"Quanto mais sol, mais calor e amplitude térmica, a uva produz essas substâncias de forma mais acelerada", explicou o enólogo Henrique Benedetti.
Uvas viníferas – Em Ouro Verde, numa área que se expandirá dos atuais 200 para 400 hectares, em quatro anos, são produzidas cerca de oito variedades de uvas viníferas, entre as do tipo moscatel, cabernet sauvignon e shiraz, destinadas à produção de espumantes, vinhos finos e brandies.
Os vinhos finos são elaborados com processos de alta tecnologia, em que a recepção das uvas ocorre por gravidade, com processo de maceração cuidadosa que preserva, ao máximo, a integridade das frutas e com controle de temperatura durante todo o processo.
O envelhecimento se dá em tanques de inox e, alguns produtos, envelhecem em barricas de carvalho.
Já o brandy Osborne é feito a partir da destilação do vinho cabernet em que apenas 10% são extraídos num processo artesanal de envelhecimento e destilação, conhecido como sistema de solera, tradicionalmente usado na Espanha.
Brandy é o nome apropriado para toda a bebida do tipo conhaque, que é produzida fora da região francesa de Cognac, mas que nada tem a ver com os aromáticos produzidos no Brasil, com cachaça e folhas, do tipo alcatrão e seus congêneres.
Qualidade – Em 2005, o trabalho que já era desenvolvido na Fazenda Ouro Verde pelas vinícolas Miolo e Lovara, desde 2001, despertou o interesse da espanhola Osborne, maior produtora de brandy na Espanha, para produzir a bebida na Ouro Verde.
O projeto exigiu investimentos da ordem de US$ 5 milhões em plantio de novos vinhedos, destilaria, infra-estrutura e desenvolvimento do produto.
Atualmente, o processo de produção do brandy na Fazenda Ouro Verde, no sertão do São Francisco, é igual ao da Osborne, na Europa.
"Resolvi apostar no negócio porque aqui se produz uva de boa qualidade, num bom clima e temperatura e com irrigação do Rio São Francisco, que resulta na produção de um brandy de excelente qualidade", afirmou, categoricamente, Ignácio Osborne, presidente do conselho da empresa, que veio da Espanha para o lançamento do novo empreendimento.