Potencial pesqueiro continua subexplorado

21/10/2008

Potencial pesqueiro continua subexplorado

 

Na Bahia, 100% da atividade pesqueira é artesanal. Ao contrário do que acontece em Santa Catarina - que é o estado com a maior produção de pescado do país o litoral baiano não recebe grandes cardumes de peixes como tainha e corvina, de modo a viabilizar uma produção industrial em larga escala. "Nosso diferencial éa qualidade do pescado", explica José Carlos de Jesus Rodrigues, presidente da Federação dos Pescadores e Aquicultores da Bahia, chamando a atenção para o alto valor de mercado de alguns peixes encontrados nesta região, como o badejo e o olho-de-boi. No entanto, como a maioria dos pescadores não dispõe de recursos para investir em instrumentos de navegação e embarcações, a atividade acaba se concentrando nas regiões costeiras, já sobrecarregadas. Com isso, um enorme potencial de recursos permanece subexplorado nas regiões mais profundas, de águas oceânicas.

Nesse sentido, o Governo aponta para iniciativas como a criação do Programa Barco-Escola, que tem como objetivo capacitar pescadores para pesca oceânica de pequena escala e a modernização da frota através de instrumentos como GPS, sonda, rádio e bússola, entre outros. "A idéia é dar suporte e orientação ao pescador, que poderá contar também com os programas especiais de financiamento do Governo Federal para adquirir embarcações e equipamentos que lhe permitam realizar uma pesca oceânica de pequena escala", esclarece o presidente da Bahia Pesca. Segundo ele, o Barco-Escola deve começar a operar ainda este ano com turmas de até 75 pescadores.

Mas, ao que parece, o grande potencial para crescimento da produção de pescado nos próximos anos na Bahia está na prática da aqüicultura. O Estado tem condições propícias ao negócio: são 300 barragens, 13 bacias hidrográficas com grande volume e profundidade e 1.200 quilômetros de costa, além das baías de Todos os Santos, Camamu e Maraú. Até agora, as principais experiências com aqüicultura se concentram na produção de duas espécies: a tilápia, em Paulo Afonso, e o ca­marão, principalmente no Baixo Sul, em Canavieiras, e em Valença e Salinas das Margaridas.

MONITORAMENTO

A Bahia Pesca vem apostando no segmento em várias frentes. A empresa está implantando unidades de produção e capacitação em aqüicultura marinha na Bahia de Todos os Santos, com espécies como o bijupirá, e também no Baixo Sul, com o robalo e olho-de-boi. Já o investimento em piscicultura continental é ainda mais amplo. São 32 unidades produtivas. As primeiras unidades foram entregues em setembro aos municípios de Vitória da Conquista e Anagé, no sudoeste baiano.

Muitos pescadores ainda vêm a atividade com desconfiança. Um dos receios diz respeito ao impacto ambiental da prática, que aposta em alguns casos na introdução de espécies exóticas de outras regiões. A Bahia Pesca garante que os projetos são conduzidos com monitoramento ambienta!. "Além disso, o modelo adotado é o da aqüicultura familiar, com todos os processos discutidos junto com a comunidade", ressalta o presidente da Bahia Pesca. A grande preocupação dos pescadores é a concorrência e o impacto das empresas que estão planejando investimentos em aqüicultura. "A aqüicultura, com certeza, é uma alternativa para o aumento da produção e o abastecimento do mercado, mas não necessariamente para a melho­ria da qualidade de vida do pescador", alerta o presidente da Federação dos Pescadores.