COMMODITIES - Mercado financeiro derruba grãos
São Paulo, O movimento de queda que tomou conta do mercado financeiro ontem derrubou as cotações das principais commodities agrícolas pelo segundo dia consecutivo. Os contratos do trigo com entrega para março tiveram um recuo de 5,5% e fecharam cotados a 537,50 centavos de dólar o bushel (27,2 quilos) na Bolsa de Chicago (CBOT).
"Não há motivo para tanta queda. A comida é o último produto que o consumidor corta do orçamento. Essa volatilidade indica que os preços das commodities estão descolados da questão de oferta e demanda mundial", avalia Benedito Oliveira, analista da AgRural. Ontem, a agência Bloomberg informou que o Egito, maior importador mundial de trigo, comprou 175 milhões de toneladas do grão da França. Oliveira acrescenta que no próximo mês, a safra argentina entrará no mercado. "Isso deve fazer com que as cotações permaneçam baixas até o início do ano que vem", completa.
No caso da soja, mesmo o anúncio de novas compras pela China não foram suficientes para sustentar os preços, revela Flávio França Júnior, analista da Safras & Mercado. Os contratos da oleaginosa com entrega para janeiro caíram 5,5%, valendo US$ 8,64 o bushel. "O petróleo caiu muito e puxou os preços do grão", completa França Júnior.
Para o algodão, Oliveira diz os preços baixos devem causar o cancelamento do embarque de boa parte das 450 mil toneladas negociadas antecipadamente. Ontem, os preços da commodity fecharam em 53,51 centavos de dólar a libra-peso (0,454 quilos), queda de 0,09%.