Plano quer ampliar as áreas irrigadas no semi-árido baiano

24/10/2008

Plano quer ampliar as áreas irrigadas no semi-árido baiano


Com uma área irrigada estimada em 350 mil hectares, sendo 156 mil com projetos públicos em âmbito federal e estadual, a Bahia tem um potencial ainda pouco explorado de 1,6 milhão de hectares.

Para ampliar e automatizar todo o processo de irrigação e equacionar importantes gargalos relativos à economia de energia e à oferta de crédito, o Governo da Bahia está revisando seu Plano Estadual de Irrigação e promovendo a sustentabilidade e a realização do manejo adequado das águas.

A discussão e apresentação das ações estaduais aconteceram durante uma conferência sul-americana para manejo e sustentabilidade da irrigação em regiões áridas e semi-áridas, que terminou ontem no Hotel Marazul (Barra).

O evento é uma iniciativa da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e tem o patrocínio e participação do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri).

Clima semelhante - Participaram aproximadamente 70 especialistas de países com condições climáticas similares como Brasil, Chile, Argentina, Bolívia e Equador.

"O semi-árido baiano é a região onde se concentra o maior número de projetos de irrigação. A expectativa é que seja conhecida a disponibilidade hídrica de todas as bacias, para a alocação efetiva dos recursos aos projetos", considera a superintendente de irrigação da Seagri, Silvana Nunes da Costa, que participou da discussão.

Para ela, o principal desafio é compatibilizar a competição entre os vários usos da água na produção sustentável de alimentos, com a necessidade de melhoria da qualidade na oferta. "É preciso ainda ampliar a fiscalização e adotar critérios para renovação de concessões, que possibilitam a instalação de empresas", completou.

Alternativas - Além de promover a construção de uma rede de conhecimento cientifico entre instituições nacionais e internacionais para o desenvolvimento de tecnologias que visem a sustentabilidade da irrigação, o encontro se propõe a gerar alternativas do uso de águas de qualidade inferior na agricultura e a gerir os recursos hídricos disponíveis.

"O Estado, como importante agente de gestão dos recursos naturais, tem sido um importante parceiro da universidade para a difusão tecnológica", avalia o professor da UFRB e organizador da reunião, Vital Paz.

Para o diretor do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), Luís Henrique Pinheiro, a solução está na utilização da água com maior eficiência, na realização do manejo adequado, tendo em vista o uso racional hídrico e a revisão das outorgas, diante das demandas efetivas.

Na oportunidade, ele ainda fez referência à situação do Oeste baiano, região responsável pelo crescimento no Produto Interno Bruto (PIB) e que sedia importantes projetos. "Essa área está com disponibilidade de recursos hídricos comprometidos no alto das bacias do Rio Grande e do Rio Corrente", explicou.