Crise ameaça atratividade das exportações do campo

28/10/2008

Crise ameaça atratividade das exportações do campo


Patrick Cruz, de São Paulo
  
Entre janeiro e agosto, ainda sem os reflexos mais fortes da crise econômica, como a valorização do dólar, os preços das commodities agrícolas, naquele momento elevados, garantiram o aumento da receita das exportações brasileiras. O desempenho foi possível mesmo com um dólar pouco atrativo para os exportadores. 

No período, o volume das exportações dos principais produtos do setor caiu 2,31% na comparação com o mesmo período de 2007. "Esses dados ainda não mostram os reflexos mais fortes da crise. Devemos ver um cenário mais apertado no último trimestre", diz a pesquisadora Karlin Saori Ishii, uma das responsáveis pelo estudo elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. 
 
No período analisado pelo estudo, o câmbio do agronegócio subiu 14,4%. Os preços em dólar dos produtos analisados, por sua vez, avançaram 29,85%. Com a queda dos volumes, as cotações internacionais asseguraram a receita maior dos exportadores, diz a pesquisadora. O cenário tende a não se repetir no quarto trimestre, já que, na segunda metade do ano, os preços das commodities agrícolas entraram em rota descendente.

Óleo de soja, soja em grão e farelo de soja, com altas de preços (em reais) de 52,35%, 39,13% e 37,53%, respectivamente, foram os principais destaques entre janeiro e agosto. Isso ajuda a explicar por que a região Centro-Oeste, que concentra alguns dos principais Estados produtores da oleaginosa do país, avançou tanto no índice de volume (IVE) quanto no de preços (IPE) elaborados pelo Cepea. As altas da região nesses indicadores foram de 8,79% e 52,99%, respectivamente. 

Em contrapartida, o Sudeste registrou queda no índice de volume de suas exportações e o menor crescimento no indicador de preços. Álcool, açúcar e suco de laranja, produtos que têm o Estado de São Paulo como grande produtor nacional, foram os únicos três que encerraram o período de janeiro a agosto com queda de preços em reais - os recuos foram de 10,53%, 16,64% e 24,95%, respectivamente. Com isso, o índice de preços do Sudeste subiu 13,82% e o de volume recuou 13,35%. 

Segundo o estudo, no Brasil, a queda das cotações das commodities tem sido compensada pelo aumento do dólar. Ele afirma, contudo, que as ações do Banco Central para fortalecer o real podem "deprimir em demasia os preços internos das commodities. Os produtores rurais brasileiros já se acham muito pressionados pela queda já havida nas cotações e pela escassez de crédito, outro efeito da crise".