Estudos indicam mudanças
O alto índice de fracasso na transferência de poder de empresas agrícolas com origem e administração familiares por falta de organização nas informações e no organograma pode mudar o perfil de gestão das propriedades rurais no Brasil e no mundo. Estudos indicam que cerca de 80% das empresas familiares brasileiras fecham as portas na transição da terceira para a quarta geração por excesso de centralização das operações. A solução apontada é a adoção do sistema de governança corporativa, que, basicamente, visa organizar o organograma e o fluxo de informações da companhia para facilitar a transição da gestão de uma geração da família à outra.O consultor responsável pela área rural do Rabobank, Antonio Carlos Ortiz, explica que não há nada de errado no fato de os membros de uma família comandarem os negócios. "Mas é necessário delegar funções com maior clareza e ampliar a transparência das informações, produzindo relatórios para mensurar as metas com maior clareza", revela. A partir disso, o sistema visa tornar a empresa mais autônoma e eficiente, facilitando a identificação de possíveis gargalos e determinar um melhor gerenciamento dos custos.
"A cereja do bolo é levantar recursos com custo mais baixo", explica Ortiz. Conforme disse, é possível economizar entre 10% e 15% na contratação do crédito com o sistema. "O risco de falhas fica menor", ressalta. Jonadan Ma, diretor executivo do Grupo Ma Shou Tao, revela que as atividades da companhia começaram há 48 anos no Rio Grande do Sul. Com três anos de existência, as atividades foram ampliadas para Minas Gerais. Em linhas gerais, a empresa trabalha com produção de sementes, produção e beneficiamento de itens agrícolas e pecuários.
O diretor diz que o primeiro passo para a profissionalização do grupo e a implantação do sistema de governança foi a criação de uma empresa jurídica. "Como as operações rurais são feitas por pessoas físicas, tornou-se necessário separar em nichos a atuação da empresa".
(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 11)(Roberto Tenório)