A rota da algaroba no sertão baiano
Na Bahia, a algaroba passou a ser vista como alternativa a partir da Riocon, conglomerado de fazendas em cujo solo foi plantado um bosque com 350 hectares da planta. A produção média anual de vagens por hectare é de cinco toneladas. Situada em Manoel Vitorino, a Riocon estende suas terras também aos municípios de Iramaia, Barra da Estiva, Maracás e Jequié.
Depois de colhido, ensacado, transportado e transformado em complemento alimentar, o produto segue por 18 rotas de entrega ou distribuição. Graças à capacidade dos quatro silos-trituradores, a empresa se firma como a maior produtora mundial de farelo de algaroba. Dois dos silos podem processar até 30 toneladas cada um e outros dois, 180 toneladas, juntos, com produção média anual de mil toneladas.
"Aqui a gente recebe, armazena, seca, faz a moagem e, enfim, entrega o produto final. Temos atualmente um mix de 35 produtos à base de algaroba, como rações para eqüinos, bovinos, ovinos, caprinos, avestruzes e outras aves. Só não produzimos a linha pet (cães e gatos) e para peixes", detalha o gerente industrial, Lucas Meira.
ADENSADO - O plantio na fazenda deverá ser adensado, por meio de um manejo inovador, para ampliar o volume em 20 toneladas por hectare/ano na mesma área. Uma grande mudança na cultura do semi-árido porque a população só via a algaroba com invasora.
"Quando eu visitava as famílias para falar da importância da planta era taxado até de louco", recorda Rodrigo Torquato Fortuoso, coordenador da área de plantio de algaroba e o responsável pela implantação do bosque.
"Eles viam a planta como uma árvore que secava as nascentes, as barragens e erradicavam a árvore", diz. Esta cultura ainda persiste, creditando a algaroba status de "praga" do sertão. Tudo porque a planta, de fácil adaptação ao semi-árido, se espalha de forma rápida e invade áreas de plantas nativas.
De acordo com pesquisadores da Embrapa, a semente se desenvolve principalmente em áreas salinizadas e degradadas, com baixa densidade de espécies nativas. A disseminação é favorecida pelos animais que se alimentam de sementes não trituradas da planta.
Embora favorável ao benefício econômico que a planta proporciona, o pesquisador da Embrapa Semi-Árido, Paulo César Lima, tem chamado a atenção para o impacto ecológico que a algaroba pode desencadear na região.
Lima defende um plano de manejo da algaroba para que o crescimento desordenado da planta seja controlado, evitando, assim, que a planta passe de solução a problema no semi-árido.