Para ter mais qualidade, produto sobe a serra
DA REDAÇÃO
O vinho gaúcho está subindo a serra. Tradicionalmente na região de Bento Gonçalves, a 700 metros de altitude, a produção de uvas para vinho caminha, também, para a chamada região dos Campos de Cima da Serra, entre 750 e 1.100 metros de altitude.
Essa área, que envolve os municípios de Vacaria, Muitos Capões, Bom Jesus e Campestre da Serra, todos no Rio Grande do Sul, tem características interessantes para a produção de vinho, segundo Mauro Zanus, da Embrapa Vinho e Uva.
"Clima, altitude e relevo revelam um potencial para a elaboração de vinhos de elevada qualidade", diz o pesquisador da Embrapa.
Ele acredita no desenvolvimento da região porque a produção já nasce com uso maior de tecnologia, com caráter empresarial, vinhedos modernos, mecanizáveis e em espaldeira.
Além de estabelecidos com material genético de qualidade, os novos parreirais estão nas mãos de profissionais que já atuam na área de produção de frutas, como a Rasip Agropastoril, produtora de maçãs.
Uma das características da área é a altitude, segundo Zanus. Com temperaturas noturnas amenas, "o período de maturação aumenta a biossíntese de pigmentos e taninos e do resveratrol, substância do vinho que tem sido associada à saúde humana", diz ele.
Além disso, preserva as substâncias aromáticas das uvas e colabora na preservação da acidez natural dos frutos, fundamental para a elaboração de vinhos finos, espumantes e vinhos tintos de "guarda".
Mais projetos
João Meyer, um dos investidores da região, diz que "os projetos já estão surgindo de forma empresarial", A idéia é explorar a capacidade da região nas diversas variedades de uvas adaptáveis, como cabernet sauvignon, merlot, pinot noire e chardonnay, entre outras.
As características principais da região serão a produção de vinhos de altitude, que têm coloração mais elevada, aromas mais intensos e são vinhos de "guarda" (de maior durabilidade), segundo ele.
A área atual de produção é de 50 hectares de uva, mas deve chegar a 200 hectares em breve. Só a Rasip se prepara para o cultivo de 200 hectares nos próximos anos, segundo Celso Zancan. Está entre os planos da empresa a montagem de uma cantina para dar identidade específica à região, diz ele.
A Aliprandini & Meyer Vinho Tinto, dos produtores Henrique Aliprandini e João Meyer, colocou neste ano no mercado o primeiro lote de vinho da empresa, referente à safra de uvas de 2007. A Aliprandini, assim como a Rasip, é uma tradicional produtora de maçã na região. A Rasip, pertencente ao empresário Raul Randon, produz vinho na região em conjunto com a vinícola Miolo.
"Os resultados obtidos até o momento são ainda preliminares, mas as análises químicas e sensoriais dos vinhos experimentais, realizadas desde 2004, evidenciam que não há impedimento natural para um bom desenvolvimento da cultura da videira na região", diz Zanus, da Embrapa.
Um dos chamarizes da região, segundo os produtores já instalados na área, é o preço atraente da terra. "Os bons preços devem atrair novos produtores, inclusive da região da serra gaúcha", diz Aliprandini.