Cafeicultor em compasso de espera
Luiz Souza
O mercado de café opera em compasso de espera quanto à formação de preços no contexto internacional. O setor ainda aguarda por medidas que fomentem o crédito a exportações, algo previsto pelo governo federal. A volatilidade impactou as expectativas do setor produtivo quanto aos preços do grão no mercado externo, algo agravado com a valorização do dólar em relação ao real.
De acordo com o Centro de Comércio do Café da Bahia, instituição que agrega os exportadores locais, antes da crise, a libra (453 gramas) de café era comercializada a US$ 1,62, contra a média de US$ 1,40 praticada atualmente. Os números se referem à cotação do produto na Bolsa de Nova York.
CONTRATOS - O presidente do Centro, Sílvio Leite, observa que, no momento, o mercado opera em função dos contratos fechados antes da crise. “Há uma certa tensão no mercado quanto às novas vendas, pois não sabemos em qual patamar o preço do café deverá se estabilizar”, prossegue Leite. No auge da corrida pelas commodities, por conta do fenômeno mundial da queda do dólar, a libra do café chegou a ser comercializada a US$ 2,10. Apesar da retração nos preços, uma perspectiva positiva para o setor pode ser a apreciação cambial - alta do real frente ao dólar. Em poucas semanas, o dólar saltou de um patamar médio de R$ 1,60 e ultrapassou os R$ 2,30.
Isso torna os preços das exportações mais atrativos, prossegue Leite. “O mercado de café não registra grandes oscilações na demanda internacional”, acrescenta o produtor. Com isso, mesmo num cenário de recessão mundial, o mercado do grão não seria gravemente afetado, pondera o presidente do Centro.
CRÉDITO - Apesar de aparentemente blindado contra a crise, a questão dos créditos para exportação é crucial, pois garante a velocidade e liquidez que o mercado precisa para operar, observa o professor do curso de agronomia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Paulo Roberto Pinto Santos.
Ainda de acordo com o professor, a expectativa do mercado é que os créditos para exportação tenham juros abaixo da média do mercado. “O governo tem que agir de forma rápida, pois este é um momento no qual toda a agricultura está sendo penalizada”, considera Santos.
A relação dos produtores com os exportadores é intrincada, pois a segunda categoria não apenas compra a produção, mas também proporciona operações de segurança (hedge) contra prejuízos originários de descompassos na cotação do dólar. Variações bruscas podem causar prejuízos aos produtores.