Cotações agropecuárias têm baixa menor em SP
Em baixa nas últimas semanas no campo e no atacado de São Paulo, os preços agrícolas já dão sinais de que essa tendência começa a perder fôlego, sob influência das turbulências nas bolsas internacionais de commodities, da valorização do dólar, de uma nova dinâmica nas negociações entre exportadores e importadores, sobretudo no caso das carnes, e também da entressafra dos grãos no país.
No campo, como informou o Valor na última quinta-feira, o índice de preços recebidos (IqPR) pelos produtores agropecuários paulistas pesquisado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) encerrou a terceira quadrissemana de outubro com variação negativa de 0,96%, a décima consecutiva. Apesar disso, foi a menor de todas essas quedas e o grupo de 13 produtos de origem vegetal pesquisado encerrou o período com alta média de 0,03%, a primeira desde meados de agosto.
O grupo de seis produtos de origem animal caiu, em média, 3,4%, mas fortemente influenciado pela queda de 12,75% da carne de frango, um dos produtos sob forte pressão de importadores.
Também no atacado paulista a baixa de preços foi mais amena na semana passada, segundo levantamento realizado pela RC Consultores divulgado na sexta-feira. O índice da consultoria, baseado em uma cesta de 17 produtos encerrou o intervalo entre os dias 25 e 30 de outubro com variação negativa de 0,6%, mas foi a menor queda semanal registrada desde o início deste mês.
A batata foi o produto agropecuário que mais caiu no período (17,8%), mas também houve quedas para a carne suína (10,6%), feijão (9,7%), café (3,7%), milho (3,7%), boi gordo (2,5%), açúcar (0,4%), trigo (0,4%) e algodão (0,2%). Subiram, em contrapartida, as cotações de soja (3,2%), ovos (3%) e tomate (0,6%). Frango abatido, arroz, leite (tipos B e C) e laranja permaneceram estáveis.
Apesar de a retração da última semana ter sido mais suave, o indicador da RC encerrou outubro com variação negativa de 2,7% em relação ao resultado de setembro. Foi a quarta retração mensal do ano. As outras foram em janeiro (0,9%), abril (0,9%), agosto (6,7%). Nos demais meses de 2008 as variações do indicador foram positivas, sendo que as maiores foram em junho (5,2%), maio (3,7%) e julho (2,7%).