Inadimplência das usinas com fornecedores chega a 36%
Ribeirão Preto (SP), A inadimplência das usinas com os fornecedores de máquinas e equipamentos já é de 36%. Segundo estudo realizado pelo Ceise - Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroalcooleiro e Energético (entidade que representa as indústrias de base que fornecem equipamentos e serviços às usinas), 28,76% dos pedidos das usinas foram postergados e outros 22,82% foram cancelados.
"A inadimplência nos causa um problema imediato e o cancelamento e a suspensão de encomendas vão nos prejudicar em 2009", diz Flávio Marques Vicari, diretor executivo do Ceise, que tem sede em Sertãozinho, um dos principais polos de empresas fornecedoras do setor de açúcar e álcool.
Segundo Vicari, que coordenou um estudo com os fornecedores, os pedidos em carteira de 980 indústrias de bens de capital do País somam R$ 4,9 bilhões até dezembro de 2009. O setor sucroalcooleiro conta com 380 usinas e destilarias e 200 grupos econômicos, com faturamento de US$ 25 bilhões. A previsão de investimentos de US$ 33 bilhões até 2012, com a construção de 120 novas unidades industriais, está ameaçada devido à falta de crédito, diz o executivo.
Segundo Vicari, os fabricantes de caldeiras, moendas, tubos de destilação, fornos e outros equipamentos para o setor de açúcar e álcool, estabelecidos nas regiões de Sertãozinho, Piracicaba, Araçatuba e no Nordeste do País, também enfrentam grande dificuldade na obtenção de crédito. "O problema é que muitas indústrias já pagaram pelo aço e carregam estoques com valor altíssimo", afirma o diretor do Ceise.
Para ele, a prioridade das empresas é pagar empregados e fornecedores, principalmente os de periféricos, que são de pequeno porte. Mas boa parte das indústrias já vem demitindo pessoal. Segundo Vicari, a indústria de base que fornece equipamentos às usinas emprega um total de 190 mil pessoas. Ele acredita que 10% desse pessoal já foi demitido nos últimos três meses e que, até o fim do ano, as demissões chegarão a 20% do total.
Na última semana, a diretoria do Ceise esteve em Brasília e fez chegar nas mãos da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, uma carta com o diagnóstico das indústrias de base e com sugestões. "Precisamos que o BNDES libere crédito para o fluxo de caixa para agüentarmos pelo menos até o fim do ano", diz Vicari. A Casa Civil marcou para 12 de novembro reunião entre com ministra Dilma Roussef.
Os fornecedores das usinas acreditam que o setor precisará, para os próximos três meses, de R$ 900 milhões, dos R$ 5 bilhões a R$ 7 bilhões que o BNDES sinalizou ao setor produtivo. "Fomos um dos setores mais afetados, pois as usinas vinham crescendo num ritmo muito forte", afirma o diretor do Ceise.
Segundo Vicari, a indústria de bens de capital é sólida mas nem por isso o setor bancário deixou de cortar o crédito. "Os bancos até emprestam, mas só um terço do necessário e com juros 20% maiores", informa. Segundo ele, as taxas para a indústria saltaram de 1,2% para 1,45% ao mês, com prazo de 36 meses. "Para comprar um carro, pagamos taxa de 0,45% em média com prazo de 72 meses", compara.