Laranjas: plantar e crescer mais
Com o objetivo de capacitar produtores de citros além de informar sobre as novas realidades econômicas por que hoje passa o País em relação à citricultura, a Agronordeste, em parceria com a Empresa Brasileira de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), promoveu, nos dias 29, 30 e 31 de outubro, o 2º Encontro da Citricultura Bahia e Sergipe no município de Rio Real (a 243 km de Salvador), o maior produtor de citros do Estado, com uma área plantada em torno de 24 mil hectares, que gera uma produção de 480 mil toneladas/ano.
Tendo como carro-chefe a cultura da laranja seguida do limão e da tangerina, o município também é rico na produção de coco, abacaxi, maracujá, mamão, mandioca, além da pecuária de corte e de leite.
"Atualmente, a citricultura é responsável por cerca de 80% da economia local, sendo a laranja a mais forte: 60% da produção é encaminhada para o mercado in atura, sendo distribuída para o Estado e regiões do Nordeste, Sul e Sudeste do País e 40% para a indústria para produção de suco concentrado que abastece o mercado internacional como a Europa", explicou Nilton Caldas, técnico de Desenvolvimento Rural da EBDA.
Potencial - Segundo o técnico da EBDA, Rio Real representa 38,4% da área total plantada da Bahia e é responsável pelo abastecimento de vários estados, a exemplo de Rio de Janeiro, Distrito Federal, Espírito Santo e Pernambuco.
Atualmente, o município exporta o suco orgânico, principalmente para a Holanda, e comercializado pelo preço justo, ou seja, o produtor vende através de cooperativa o produto bruto com preço de mercado local e, ao ser comercializado no mercado exterior com um preço diferenciado, já que é orgânico, o produtor recebe a diferença.
Além de Rio Real, os municípios de Inhambupe, Itapicuru, Alagoinhas, Jandaíra, Esplanada e parte do Recôncavo são apontados como pólos de produção e distribuição do Estado, com uma área plantada de mais de 60 mil hectares e rendimento médio de 20 toneladas/hectare.
"Além da laranja-pêra, única variedade plantada na região e responsável por 80% da produção, também plantam limão e variedades da laranja, como lima e tangerina. O limão, inclusive, já está sendo exportado para a Europa", disse o técnico, lembrando que metade da produção abastece as indústrias e o restante, o mercado interno.
Conhecimentos - No encontro sobre citricultura, em Rio Real, os produtores tiveram acesso a novidades relativas a manejo do solo e mudas, controle de pragas e utilização de fertilizantes adequados para a cultura, além de apresentação de máquinas e acessórios para ajudar no trabalho diário.
Com a expectativa de enriquecer os conhecimentos para serem utilizados na produção, o produtor Edvaldo Rezende, que há mais de 20 anos tem na citricultura sua sobrevivência, foi um dos primeiros a se inscreverem para participar do evento. Rezende possui uma área de mais de 20 hectares plantados, dando um rendimento de cerca de 400 toneladas/ano.
Mas, devido a pragas e doenças como leprose (que deixa a fruta manchada sem serventia para o mercado), minadouro (tipo de lagarta que ataca a folha nova e compromete o nascimento do fruto) e ortézia (inseto cochonilha que dá na parte de trás da folha, que suga a seiva da planta) e o aumento de mais de 100% no valor do adubo, houve uma queda na produção e no preço de venda dos produtos.
"A produção e os preços caíram, fazendo com que tivéssemos algumas dificuldades para continuar com este tipo de cultura", frisou.
Como saída, o produtor optou pela cultura orgânica que, apesar de ter um rendimento menor, tem a vantagem de ter preços baixos e dar um fruto de melhor qualidade e mais saudável, além do valor do fruto ser maior em relação a lucro.
"Hoje, temos empresas no exterior que dão incentivos aos produtores para a produção de orgânicos, com a garantia de compra total da produção a preços que chegam a ser o dobro ou o triplo do valor do produto comum", destacou Rezende.