Melhoramento genético é o "filé" do setor pecuário
Chegar ao palco de um leilão ou ser premiado em uma exposição agropecuária é um prêmio que só vem depois de o gado passar por uma série de provas - e vencer todas elas. Nessa jornada bovina, as técnicas de melhoramento genético são o filé, em termos de investimento e retorno financeiro, e a principal mola que faz de um touro ou matriz reprodutiva um animal valorizado no mercado.
No oeste da Bahia, entre os municípios de Cotegipe e Wanderley, a Agropecuária Jacarezinho prevê um rebanho de 19 mil cabeças de gado até dezembro. Funcionando desde 2005, a empresa começa a colher os resultados do seu investimento no Estado, para onde o rebanho está sendo transferido de São Paulo.
Esse é um caso de fazenda que, além de destinar seu gado ao abate e à venda de bezerros para formação de novos rebanhos, conduz e provê a perpetuação da criação sob o olhar dos exames de laboratório.
"O foco principal é entregar um produto nos padrões requeridos pelo mercado", pontua Luís Fernando Boveda, gerente de pecuária da Jacarezinho. Segundo ele, a base do programa de melhoramento genético da empresa é a seleção de população, a seleção massal. Todo o rebanho, criado a pasto, está cadastrado e, a cada fase da vida, são feitas mensurações de desempenho. A partir delas, saem os futuros pais de gerações mais produtivas.
Boveda lembra que as características avaliadas são focadas no interesse econômico. A primeira delas é o ganho de peso, medido no período entre o nascimento e o desmame, e do nascimento até o sobreano (550 dias), incluindo o potencial de formação de carcaça.
A precocidade no acúmulo de gordura na carcaça é outro item observado. "A gordura serve não apenas para dar sabor, mas para a conservação, já que a gordura atua como isolante, o que é melhor para a indústria, pois evita que a carne queime", ressalta. Leva-se em consideração, ainda, a musculatura do boi e da vaca: quanto de carne aproveitável tem o animal.
A capacidade reprodutiva do animal está na ponta da linha de avaliação. "O perímetro escrotal está correlacionado com a precocidade sexual e a capacidade de ganho de peso. No caso das matrizes, o que vale é o quanto antes a novilha entra no ciclo reprodutivo", cita o gestor de área da Jacarezinho.
Os dados coletados durante o período de vida do animal são calculados com equações genéticas, cujos resultados vão dar uma predição do que o animal potencialmente pode transmitir para os filhos. Quem chega ao fim desta jornada vai a leilão. Ou é vendido a peso de ouro - até R 10 mil. (JFM)