Cafeicultores baianos são selecionados em concurso
GRÃOS Concurso de Qualidade Cafés do Brasil entra na etapa do Júri Nacional
REGINA DE SÁ
Aroma, fragrância, limpeza de bebida, corpo, doçura, acidez, sabor remanescente, equilíbrio e, para fechar, uma nota pessoal: são atributos que pontuam um café de altíssima qualidade. Sem essas qualidades, o cafezinho brasileiro poderia nem ganhar o mercado internacional.
Para nove cafeicultores da Bahia, estar entre os três melhores grãos do tipo arábica da safra 2008, em uma pré-seleção de concurso nacional, só vem confirmar o que diz Sílvio Leite, presidente do Centro de Comércio de Café da Bahia: "Não somos os grandes produtores nacionais de café, mas produzimos um grão de altíssima qualidade", reforça.
Leite destaca as maiores regiões produtoras no Estado: o Planalto, tradicionalmente voltado para o café arábica; Chapada Diamantina e oeste, também produtora de café arábica a partir das técnicas de irrigação.
No extremo sul, região litorânea, o plantio predominante é o do café tipo robusta (variedade conilon). "A Bahia entrou no mapa de cafés especiais, hoje reconhecidos internacionalmente.
Desde 1999, quando o concurso foi idealizado, que os cafés da Bahia estão entre os vencedores", frisa o especialista. O Estado conta hoje com cerca de dez mil produtores de café.
EXPORTAÇÃO - A Bahia exporta café para 28 países, entre cafés especiais e comerciais. Os principais compradores são os Estados Unidos, Bélgica, Alemanha e Holanda.
Segundo dados da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), a Bahia é o quinto maior produtor de café do País, responsável por 5% da produção nacional. No parque cafeeiro baiano, o grosso da produção é voltado para o café tipo arábica, com 76% da produção, informa a Assocafé.
Sílvio Leite, que também é provador, classificador e coordenador do Júri Nacional do 9º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil, conta que, dentre os nove produtores pré-selecionados, sete são de Piatã (Planalto baiano), um é de Vitória da Conquista e o outro produtor é de Poções.
Os classificadores e provadores que integram o júri nacional estiveram reunidos, de 3 a 7, no Centro de Excelência do Café do Sul de Minas Gerais (CEC), na cidade mineira de Machado, para avaliar 102 amostras pré-selecionadas de café arábica de produtores de todo o Brasil.
Os 12 profissionais que integram o júri foram aprovados em concurso realizado pela Alliance for Coffee Excellence ( ACE
PRODUTORES
Piatã
Antonio Rigno de Oliveira Fazenda São Judas Tadeu
Benyosef Rosa Soares Fazenda Senhor do Bonfim
Cândido Vladimir Ladeia Rosa Fazenda Ouro Verde
Claudionor José da Silva Fazenda Calendário
Eulino José de Novais Sítio Santa Bárbara
Pedro Santana Mesquita Fazenda Cafundó
Vitória da Conquista
Isaias de Souza Silva Fazenda Goiabeira
Poções Luiz Carlos Brito Fazenda Morada do Surucucu
Como é feita a seleção
Para participar do concurso, são aceitos produtores brasileiros de café da espécie arábica, e, segundo explica a organização do evento, devem vir em lotes preparados por via seca (natural) ou via úmida (despolpados, cereja descascado ou desmucilado).
Cada lote pode ter, no mínimo, 20 sacas de café beneficiado e, no máximo, 150 sacas. O produtor pode inscrever mais de uma amostra, porém, no caso de classificação, apenas uma delas (a que obtiver melhor nota) disputará a etapa final, que é a do júri internacional.
A inscrição do primeiro lote é gratuita; porém, do segundo em diante, é cobrada uma taxa de R$ 100. De acordo com Sílvio Leite, do Centro de Comércio de Café da Bahia, todas as amostras recebidas são registradas e codificadas numericamente pela equipe de auditoria e não pelo nome do produtor ou do Estado participante.
Este ano, os quatro primeiros estados pré-selecionados foram os Estados de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Espírito Santo.
ARÁBICA - Segundo dados do Conselho Nacional do Café, a espécie arábica possui os frutos redondos, suaves, levemente amargos, de cor achocolatada, com crosta lisa e perfume intenso.
São duas variedades botânicas: arábica (typica) e bourbon. O typica foi mais cultivado na Ásia e América Latina. Já o bourbon foi levado para a América do Sul e África pela colônia francesa do bourbon (Reunion).
Destas variedades, surgiram outras cultivares, como a caturra (Brasil e Colômbia) e a mundo novo (cruzamento entre a typica e a bourbon, encontrada no Brasil). (RS)