Produção de cenoura cai 25%

10/11/2008

Produção de cenoura cai 25%


Apesar de o Estado ter registrado um aumento significativo na produção de cenoura, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), na região de Irecê (a 474 km de Salvador), segunda maior produtora da raiz no País, a situação é bem diferente.

Em outubro, a produção alcançou cerca de 16 toneladas/ha, o que representa uma queda de cerca de 25% em relação ao mês de setembro, que registrou produção de 25 t/ha.

Segundo Eduardo Dourado, agrônomo e técnico da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) na cidade, a falta de chuva e a alta temperatura resultaram na redução da vazão de poços artesianos, fazendo com que a produção apresentasse essa queda. "A cenoura requer muita água", explicou.

E mais: a caixa com 20 kg sai a R 5, sem o beneficiamento (suja), e a R 9, quando beneficiada. Mesmo assim, esses valores não cobrem os custos, pois, para se produzir um saco de 20 kg, o custo gira em torno de R 6.

Adaptação - Para o produtor Eriberto Costa, mesmo com todas estas dificuldades, ainda vale a pena cultivar cenoura, cultura que se adapta a qualquer clima e tempo, podendo-se fazer o plantio durante todo o ano.

"No segundo semestre, a oferta é maior do que a procura, já que todas as regiões estão com boas condições de plantio", frisou Costa, acrescentando que os preços melhoram com a mudança climática no início do ano.

Com uma área de mais de 20 hectares plantados, o produtor diz que hoje se consegue sobreviver da cultura de cenoura e outras hortaliças, como cebola, tomate e pimentão.

"O plantio dessas hortaliças está crescendo na região devido à queda na produção de feijão, mas devemos ficar alertas para os problemas com o manancial, já que este tipo de cultura exige uma quantidade maior de água e existe muito desperdício por parte de agricultores, o que não deve acontecer", alertou.

Qualidade - Responsável por abastecer toda a região Nordeste do País, segundo Eduardo Dourado, a cenoura baiana possui uma qualidade maior em relação à produzida em outras regiões, mas a distância com o mercado consumidor faz com que o valor final apresente um aumento.

Por isso a cenoura produzida nos Estados de Pernambuco e Paraíba tem uma procura maior. Para se ter uma idéia, na Ceasa de Pernambuco, o saco de cenoura com 20 kg está custando esta semana R 8 a baiana e a pernambucana sai por R 10.

"Aqui o frete para as cidades do Nordeste fica em torno de R 3 por saca e lá na Paraíba e Pernambuco, por ser mais próximo, o frete fica em torno de R 1, dando uma vantagem de R 2 em cima do custo de frete, que acaba influenciando no valor final do produto", destacou.

Embora a cenoura híbrida juliana tenha uma maior produção e qualidade, apenas 5% dos produtores cultivam esta variedade, pois o preço das sementes é 10 vezes mais alto do que o da brasília, responsável por 95% da produção local, por ser mais resistente ao clima quente.