Corretoras reavaliam ações do agronegócio

12/12/2008

Corretoras reavaliam ações do agronegócio

 

Depois de ter uma das maiores perdas de valor de mercado da BM&F Bovespa, a Sadia S.A. começa a ser apontada como uma boa oportunidade de ganho ao investidor. Apesar do prejuízo com derivativos cambiais, a companhia foi "beneficiada" pelo fato de o setor de avicultura pôr o pé no freio diante de uma perspectiva de retração das exportações de carne de frango. O sucroalcooleiro, super alavancado em investimentos e com baixa geração de caixa por causa dos preços defasados do açúcar e álcool, ainda é visto com desconfiança pelas corretoras que fazem avaliação dos papéis das companhias. De forma geral, analistas buscam indicar empresas que estão desvalorizadas e têm perspectivas de alguma recuperação. O consenso é de que voltar aos níveis anteriores da crise aos valores de mercado anteriores à crise somente deverá ocorrer mais à frente, não antes de dois ou três anos.

Desde maio - quando ainda a crise não tinha afetado de forma intensa as ações na bolsa paulista - as principais empresas do agronegócio perderam fortemente seus valores de mercado. Entre elas, a Sadia S.A. que até o dia 10 de dezembro tinha perdido 68% do seu valor de mercado, que recuou de R$ 8,3 bilhões para R$ 2,6 bilhões. Assim, as ações preferenciais da companhia saíram do patamar de R$ 12,72 em 19 de maio para R$ 3,63 ontem. Para Peter Ping Ho, analista da Planner Corretora, essa forte desvalorização pode representar oportunidade ao investidor. Por isso, a corretora indica a compra desses papéis, uma vez que a avaliação é de que, mesmo tendo tido prejuízo com derivativos, a Sadia não vai recuar sozinha. "Todo o setor terá que revisar investimentos e produção para o próximo ano, portanto, a Sadia acabou por "adotar" a estratégia correta de postergar investimentos e priorizar produção em algumas unidades estratégicas. Isso resultará em uma folga financeira muito bem vinda à companhia", justifica Ping Ho.

Para sua concorrente, a Perdigão S.A., a indicação também é de compra, apesar de as ações da empresa não terem recuado muito desde maio - em torno de 27%. "A empresa foi bem conservadora e está reestruturando suas operações", justifica o especialista da Planner. Desde o dia 19 de maio, o valor de mercado da Perdigão caiu de R$ 10,2 bilhões para R$ 7,7 bilhões.

Na Gradual Corretora, a avaliação, tanto para Sadia, como para Perdigão, é de manutenção dos papéis. Kleber Souza Hernandez, analista da corretora, explica que é mais sensato aguardar a melhora neste setor, sobretudo no caso da Sadia, que foi muito debilitada financeiramente com o escândalo dos derivativos cambiais.

Sucroalcooleiras

A avaliação da Cosan S.A. ainda não foi concluída pela Planner Corretora que aguarda a divulgação dos resultados do terceiro trimestre da safra corrente (na próxima segunda-feira). Mas, a mudança do perfil da dívida da maior usina do País com a aquisição da Esso é motivo de preocupação de analistas. O endividamento de R$ 1,5 bilhão, dos quais 1,475 bilhão de longo prazo, foi ampliado em mais R$ 1,1 bilhão de curto prazo com a emissão de notas promissórias (cujo vencimento é de 360 dias) para pagamento da aquisição da Esso Brasileira de Petróleo.

"Como as perspectivas até o início da próxima safra é de preços baixos de açúcar e álcool, ou seja, a fonte de caixa da empresa será baixa, possivelmente a companhia terá que fazer novos empréstimos para quitar essa dívida", afirma Ping Ho. Assim, segundo ele, essa perspectiva negativa pode ser revertida caso seja mostrado no balanço ganhos financeiros em operações de derivativos. "Boa parte dos ganhos deste setor é nas operações de derivativos. Pode ser que ela consiga rever esse quadro com essas operações que vêm sendo bem sucedidas pela empresa", diz.

Os preços do petróleo em queda fizeram com que o Unibanco Corretora avaliasse com viés negativo os papéis das empresas sucroalcooleiras, uma vez que a maior parte dos investimentos do setor está baseada no mercado de etanol. Assim, a corretora decidiu deixar todas as empresas do setor com indicação de "manutenção" dos papéis, alterando, portanto, a Açúcar Guarani, que estava indicada para "compra". De acordo com a corretora, pesou na decisão de mudar o status da Guarani o perfil da dívida, muito concentrada no curto prazo.

Já entre os frigoríficos, o Marfrig está entre os mais bem avaliados entre as corretoras. No caso da do Unibanco, a justificativa está na diversificação que o grupo conseguiu ao adquirir empresas de produção de carne de frango e suína no exterior, o que foi vista como acertada, uma vez que dilui o risco trazido pela carne bovina com o alto custo da matéria-prima. "Além disso, o Marfrig se situou melhor do que os outros com a redução das exportação para a União Européia, conseguindo exportar a partir de Argentina e Uruguai", avalia Hernandez, da Gradual Corretora.