Indução para uniformizar o florescimento do abacaxi
Com o intuito de gerar lucro para os produtores na entressafra do abacaxi, período em que o fruto, por estar escasso, tem o preço valorizado, pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas (a 146 km de Salvador), apostam na técnica da indução artificial que visa aumentar a produção comercial do abacaxi na entressafra.
Para a fruta atingir padrão comercial e haver uniformização da produção, é necessário induzir artificialmente a floração. Com a indução, a época da floração e colheita do abacaxizeiro pode ser antecipada artificialmente com o uso de produtos químicos aplicados na roseta foliar da planta.
A entressafra do abacaxi ocorre de fevereiro a junho. A variedade mais comercializada no País é a pérola, responsável por 75% da produção brasileira. A indução pode ser feita em qualquer espécie de abacaxi.
Quem explica é o pesquisador da Embrapa Luiz Francisco da Silva Souza, mestre em ciência do solo. "O grande ganho com a indução é uniformizar o florescimento e a frutificação, concentrando a colheita num período de melhor preço do produto.
Ganhos - Uma indução floral feita de forma adequada pode proporcionar a frutificação em mais de 95% das plantas de uma área. "Se a indução for usada adequadamente, não gera perdas de produtividade", diz o pesquisador da Embrapa. A técnica já é usada na região de Itaberaba e no Recôncavo, nos municípios de Cruz das Almas e Coração de Maria. O estado do Tocantins usa a indução em grande escala .
Segundo o pesquisador, o produtor que utilizar a técnica da indução também poderá ver seus frutos crescerem no mesmo período. "Quando o produtor consegue deslocar a produção para a entressafra, utilizando a indução artificial, tem chance de conseguir preço melhor", salientou Luiz Francisco Souza. Na entressafra, explica, vende-se mais caro, chegando-se a R 3 a unidade, enquanto na safra se acha abacaxi por R 1.
Colheita - A indução artificial renova as expectativas dos produtores de abacaxi, como o escalonamento da colheita dos frutos com base na demanda/capacidade de comercialização do produtor. "Isso permite que se faça a indução de modo que o florescimento aconteça de forma escalonada. Para tanto, o produtor que tiver um hectare pode dividi-lo em quatro partes. Faz a indução de cada parte com intervalo de 15 dias de uma para outra. Com isso, a pulverização acontece a intervalos de 15 dias. Pode ser também 30 dias, depende da capacidade de gerenciar a comercialização", orientou.
A técnica também tem como vantagens a colheita de um número maior de frutos por área; a facilidade/redução de custos dos tratos culturais/fitossanitários e de colheita dos frutos; deslocamento da produção para épocas menos favoráveis à incidência de doenças nos frutos e ou de melhores preços para os produtores etc.
A indução do florescimento não tem o poder de proteger o fruto da incidência da fusariose. Contudo, é uma aliada importante no controle desta doença.
Aplicação de indutor deve ser pela noite
O custo da indução do florescimento é variável, de acordo com as características da região produtora e com o sistema de cultivo adotado na propriedade. Pode-se, contudo, afirmar que normalmente não é uma prática cara. O valor (indutor+ custo de aplicação) deve situar-se em torno de 5% do custo total de produção. Conforme os pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical Domingo Reinhardt e Getúlio Augusto Pinto da Cunha, a técnica da indução é feita mediante a aplicação de substâncias indutoras do florescimento.
"Existem diversos produtos que podem ser usados com essa finalidade, como o carbureto de cálcio e do etefon, que são os mais empregados no Brasil", ressaltam.
De acordo com o resultado das experiências dos pesquisadores, o carbureto de cálcio pode ser aplicado sob as formas sólida e líquida, sendo que, no primeiro caso, coloca-se 0,5 g a 1,0 g por planta, no centro da roseta foliar, em períodos úmidos ou chuvosos. O carbureto de cálcio pode ser encontrado sob a forma granulada no comércio, o que facilita a aplicação. Na forma líquida, é usado preferencialmente em épocas secas.
Etefon - O produto pode ser aplicado na roseta central ou em pulverização foliar total, com base em 50 ml por planta, de uma solução preparada com 25 ml a 50 ml do produto comercial a 24% do ingrediente ativo ou 12,5 ml a 25 ml do produto comercial a 48% do ingrediente ativo, adicionados a 100 litros de água, à qual acrescentam-se 2 kg de ureia e 35 g de hidróxido de cálcio (cal de pintura).
O etefon em contato com a água decompõe-se e libera o gás etileno, que é o responsável pela diferenciação floral do abacaxizeiro. A adição de hidróxido de cálcio e ureia à solução aumenta a eficiência do etefon, pois facilita a liberação do etileno e sua absorção pela planta.
"Recomendamos uso de concentrações mais altas em épocas quentes, quando a eficiência do etefon é baixa. A aplicação da calda pode ser mecanizada e só deve ser repetida se chover até seis horas depois da aplicação, o que é válido também para o carbureto de cálcio", orienta Luiz Francisco.