Amarelinho é praga que tira o sono dos produtores
Considerado menos destruidor que o greening, a clorose variegada do citrus (CVC, Xylella fastidiosa), mais conhecida como amarelinho, é a praga que está tirando o sono dos produtores baianos no momento.
A CVC se alastra pelo pomar gradativamente e, conforme pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical de Cruz das Almas, no livro Cultivo dos Citros,a doença age mais severamente em plantas jovens, e, como consequência, “passam a produzir frutos pequenos, duros, com acidez excessiva e pouco suco, imprestáveis para a comercialização”, destaca o artigo “Doenças causadas por bactérias”, escrito pelos especialistas em citricultura Francisco Ferraz Laranjeira Barbosa e Hermes Peixoto Santos Filho.
Se a doença não for tratada adequadamente, afeta diretamente na produção, já que o primeiro sintoma é a redução no tamanho do fruto, que não cresce mais do que um limão. Além disso, a fruta fica com a polpa endurecida e as folhas verdes pigmentadas de pontos amarelos.
O fruto aparece com lesões de cor marrom-escura, como se estivesse com uma queimadura.
São os sintomas de cancro cítrico em frutos, explica a publicação da Embrapa.
“Esta doença se apresenta logo em parte da planta; se for constatada imediatamente, é necessário arrancar o galho doente e acionar técnicos da EBDA e ADAB, já que se pode controlar a proliferação”.
PREJUÍZOS – A doença, cujo agente causal é a bactéria X. fastidiosa, já foi detectada na região de Rio Real, Itapicuru e Inhambupe, mas com maiores prejuízos no primeiro município, que é o maior produtor de citros do Estado.
Uma prova disso está no sítio de Antônio Alves. Das oito tarefas plantadas na propriedade, 10% já foram afetados pelo amarelinho, o que vem causando sérios prejuízos para o produtor.
“Não sabia que era amarelinho este problema, acreditei que fosse falta de nutriente na terra, mas agora vou começar a podar o laranjal para evitar que a doença se espalhe e tenha prejuízos maiores”, desabafou.
Para o presidente da Associação de Desenvolvimento Comunitário da Pindoba, Nelson Borges, o maior problema está na falta de informação dos produtores, que, por desinteresse, não procuram os órgãos competentes para tirar dúvidas sobre o plantio e as pragas.
“Alguns produtores não se interessam em escutar as orientações e acabam plantando de qualquer forma”, afirma.
CONTROLE – Segundo recomendam os especialistas da Embrapa, a melhor forma de combate ao amarelinho seria o plantio de mudas sadias, preferencialmente adquiridas de viveiros registrados.
O produtor deve manter pomar limpo e efetuar constantes inspeções.
A poda de ramos é recomendada (cerca de 50 cm e 70 cm a partir da última folha inferior com sintomas em plantas adultas).