O que é e como surgiu a Economia Solidária
A economia solidária surgiu como uma resposta dos trabalhadores e das comunidades mais pobres em relação às transformações ocorridas no mundo do trabalho. São 14 mil e 954 empreendimentos coletivos já identificados, organizados sob a forma de autogestão, que realizam atividades de produção de bens e de serviços, crédito e finanças solidárias, trocas, comércio e consumo solidário.
Os empreendimentos são formados por associações; cooperativas; clubes de troca; pequenos agricultores; grupos de costureiras, bordadeiras, doceiras; cooperativas de catadores ou coletores de materiais recicláveis; trabalhadores de fábricas falidas que formam novas empresas solidárias e juntos, em igualdade de condições, são responsáveis pela sua recuperação, administração e funcionamento; amigos, vizinhos e colegas de trabalho que se organizam para fazer compras solidárias; comunidades que utilizam moeda social em seus clubes de troca e cadeias de produção solidárias, em que um grupo fabrica o produto e outro compra.
Estes empreendimentos funcionam a partir de decisões coletivas, cooperação, sem hierarquias e patrões. Eles praticam a autogestão, que é um processo democrático de decisão em que todos são responsáveis pelo que fazem no grupo no qual participam.
Mapeamento
O mapeamento feito pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria Nacional de Economia Solidária, em 2007, identificou 14 mil 954 empreendimentos econômicos solidários em 2 mil 274 municípios, o que corresponde a 41% das cidades brasileiras. A maior concentração destes empreendimentos solidários encontra-se na Região Nordeste, com 44%. O restante está distribuído nas demais regiões: 13% na Região Norte; 14% na Região Sudeste; 12% na Região Centro-Oeste e 17% na Região Sul.
Mais de 1 milhão e 250 mil pessoas, homens e mulheres, estão associados a estes empreendimentos em todo o país. Isto equivale a uma média de 84 participantes por cada grupo de trabalho solidário. No entanto, o mapeamento feito pelo Ministério do Trabalho identificou, ainda, que mais 25 mil trabalhadores, embora não sejam sócios, participam de alguma forma ou possuem algum tipo de vínculo com os empreendimentos econômicos solidários.
TIPOS DE EMPREENDIMENTOS
Metade dos empreendimentos econômicos solidários do país atua exclusivamente na área rural; 33% na área urbana e 17% nas áreas rurais e urbanas. Na Região Centro-Oeste 44% dos empreendimentos são exclusivamente da área rural; 34% da urbana e 22% da urbana e rural (atuam nas duas áreas).
A maioria trabalha com atividades agropecuárias, de extrativismo e de pesca (42%); alimentos e bebidas correspondem a 18,3% e diversos produtos artesanais a 13,9%. No entanto, os grupos atuam nas mais diversas áreas, desde a produção industrial, caso dos trabalhadores que se unem para recuperar uma fábrica falida; a produção têxtil e confecções; serviços; coleta e reciclagem de materiais; produção de fototerápicos, limpeza e higiene; serviços de crédito e finanças sem juros ou com juros baixíssimos e produção mineral.
Fonte:
Rosângela Aguiar
Jornalista
Assessora de imprensa da Caravana Solidária