Agenda Bahia: clones tolerantes à “vassoura” e preços mais altos animam produtor

19/09/2011

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Embora haja produtores que colham até 100 arrobas por hectare, Hartmann observa que a produtividade ainda é baixa – a média é de cerca de 20 arrobas/hectare – o que, de resto, ocorre com os grandes produtores da África, inclusive Costa do Marfim, o maior do mundo.

Consumo crescente

Em contrapartida, o consumo do chocolate aumenta. O Brasil é o país em que o consumo mais cresceu nos últimos cinco anos – 26% - segundo o presidente da Câmara Setorial Nacional do Cacau, Durval Libânio Netto. É hoje o quarto consumidor mundial, ultrapassado apenas pelos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. E há muito espaço para crescer, já que o brasileiro consome 2,5 kg per capita/ano, de acordo com dados de 2010. No Reino Unido, por exemplo, supera os 12 quilos per capita/ano.

 “O consumo no Brasil cresce a cada ano e no mundo também. A perspectiva é que, com a tendência atual, faltem amêndoas e que os estoques mundiais diminuam. A grande perspectiva é que a China e a Índia passem a consumir maiores quantidades de chocolate”, diz Libânio Netto.
 
O Brasil tem um parque moageiro de 250 mil toneladas anuais. Com a quebra da lavoura de cacau da Bahia, a oferta de matéria-prima caiu a 170 mil toneladas. Com isso, as indústrias tiveram que passar a importar cacau, com dificuldades alfandegárias e fitossanitárias.

Contudo, o especialista diz que há motivos para ter esperança. “O Brasil é o único país do mundo grande produtor de amêndoa e grande consumidor de chocolate. Este fato pode favorecer o país a se tornar referência mundial em qualidade de cacau e chocolate, pela possibilidade de inovação na cadeia produtiva", afirma.

O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates (Abicab) -  entidade que também responde pelo segmento de amendoim e balas -  Ubiracy  Fonseca, diz que o Brasil é um mercado de grande potencial e por isso “vem atraindo grandes fabricantes. Segundo ele, o consumo de chocolates no primeiro  semestre cresceu acima de 5%. “Todos os indicadores apontam para um contínuo crescimento. Chocolate é uma categoria aspiracional e cada vez que há uma melhoria na renda, novos consumidores são agregados” afirma.

 

Fonte:
Maria José Quadros | Redação CORREIO
maria.quadros@redebahia.com.br

 

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