Milho hidropônico é alternativa para alimentação animal em períodos de seca

18/07/2012

Milho hidropônico é alternativa para alimentação animal em períodos de seca


Na técnica, recomendada para época de estiagem, são usados substratos e misturas minerais como substituintes do solo

 


Em Juazeiro, município do semiárido baiano localizado a 502 quilômetros de Salvador, o milho hidropônico está se transformando em fonte de alimento para animais no período de estiagem. Os agricultores familiares da região, orientados por técnicos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretaria da Agricultura (Seagri), estão usando o produto para manter o peso e a produção de leite.

A hidroponia é uma prática que utiliza substratos e misturas minerais como substituintes do solo. O cultivo do milho hidroponizado apresenta 9% de proteínas, o que é fundamental para não haver perda de peso do animal na época de seca, quando há escassez de forragem no campo, como explica o técnico da EBDA de Juazeiro, Fernando Moura Duarte.

Segundo ele, só é necessário utilizar a técnica quando ocorre estiagem prolongada, pois nos períodos de chuva a forragem é abundante. Para aumentar o nível de proteína, é importante fazer a "amoniação" do material produzido, enriquecendo-o com ureia.

Abate – Os animais, que antes perdiam peso, agora estão ganhando e melhorando a produção de leite. "Com essa técnica, quando os animais atingem seis meses de idade, principalmente os ovinos, ficam prontos para o abate", informa o técnico, que já participou de dois dias de campo para difundir o processo de cultivo.

De acordo com o técnico da EBDA, "um canteiro de seis metros quadrados tem custo de R$ 15 e produz 116 quilos de forragem hidropônica, que acrescida de quatro quilos de farelo de soja ou trigo – totalizando 120 quilos – é suficiente para alimentar aproximadamente 100 cabeças de caprinos ou ovinos por dia.

Canteiros – O processo de instalação dos canteiros é simples. Inicialmente, as sementes são colocadas de molho na água, por 24 horas, para facilitar a germinação. Após a limpeza, a área demarcada é forrada com lona "dupla face", tendo a parte preta voltada para baixo. Em seguida, é distribuído o substrato (bagaço de cana hidrolisado, palha de arroz ou feno picotado) até formar uma camada de dez centímetros.

Depois deve ser aplicada a solução nutritiva (250 gramas do fertilizante supersimples e 450 de calcário calcítrico). Os passos seguintes consistem em espalhar por cima oito quilos de sementes de milho e cobrir com cinco centímetros de substrato. Nesse processo, é necessária a adubação foliar composta de macro e micronutrientes "quelatizados", após sete dias da semeadura – 50 ml (mililitros) em 20 litros de água. A adubação precisa ser repetida também no 10º dia.

Todo o sistema é irrigado, desde o primeiro dia, com 40 litros de água, distribuindo 20 litros pela manhã e 20 à tarde. Segundo o técnico da EBDA, a irrigação deve ser suspensa três dias antes da colheita.

Pouca área utilizada com rápida e alta produtividade

Com essa técnica, após 15 dias, o milho hidropônico já pode ser colhido, enrolado como se fosse um tapete e processado na forrageira para homogeneizar. Em seguida, o milho é misturado com o farelo de trigo ou soja, ficando pronto para alimentação dos animais.

Além da rápida produção, o milho hidropônico apresenta outras vantagens, a exemplo da pouca área de cultivo, alta produtividade, isenção do preparo do solo e capinas, redução do ciclo de cultura e dispensa do uso de agrotóxicos e terras agricultáveis. O engenheiro agrônomo da EBDA Francisco Afonso de Menezes destacou que o cultivo contínuo em qualquer local e condição climática e o baixo custo de produção também são fatores positivos.

Tags
milho
Galeria: