Com o apoio da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e inovação (Secti), o Laboratório de Processos Químicos do Colegiado de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) vai pesquisar a possibilidade de produzir biodiesel a partir da semente da faveleira (Cnidosculus quercifolius), uma planta xerófita forrageira do semi-árido do Nordeste do Brasil. Através uso do biocombustível derivado do óleo da faveleira, a Secti espera contribuir com a agricultura familiar, principalmente na região do semiárido, já que a planta é uma forrageira nativa das caatingas de estados como o Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Uma das vantagens da faveleira é que mesmo em períodos de seca sua produção é alta.
O Laboratório de Processos Químicos da Univasf já produz o biodiesel num consórcio de matérias-primas que incluem o óleo de soja, a mamona, frituras e também estudos teóricos de modelagem celular. Dispõe ainda de extrator de óleos para determinação do teor de óleo na semente da faveleira, mini-usina para produção do biodiesel, equipamentos para determinação da viscosidade e estabilidade à oxidação.
Porém necessita de um de um analisador de biodiesel combinado para proceder a cromatografia gasosa, a fim de determinar os componentes presentes nas misturas de óleos e das blendas de biodiesel. O único aparelho da Univasf é utilizado pelo Laboratório de Nanotecnologia. Para viabilizar a produção de biodiesel a partir da semente da faveleira, a Secti pretende doar o aparelho ao Laboratório de Processos Químicos.
A professora Viviani Marques Leite dos Santos, coordenadora da unidade, informou que o Laboratório já desenvolve as seguintes atividades relacionadas ao biodiesel: estudo de processo de produção em escala de bancada e de mini-usina, utilização de óleos da mamona, soja e de frituras, controle de qualidade da matéria-prima e do biodiesel produzido, principalmente viscosidade e estabilidade da oxidação e modelagem molecular do biodiesel proveniente de 20 oleaginosas com obtenção de de ordem de estabilidade à oxidação.
Segundo Viviani, a aquisição do cromatográfico permitirá o desenvolvimento de diversos projetos de pesquisa aplicada relacionadas a inovação do processo de produção e monitoramento da qualidade do biodiesel. A professora observou ainda que o laboratório também tem potencial para se tornar laboratório de referência em análise de combustíveis, desde que sejam disponibilizados recursos para aquisição de equipamentos, material de consumo e bolsas.