Encerrado em Feira de Santana o I Encontro de Tecnologias Sociais na Bahia

29/05/2015
Segundo Larissa Barros, coordenadora da Rede de Tecnologias Sociais (RTS), que participou do encerramento do evento, promovido pela Secretaria Estadual de Ciência, tecnologia e inovação (Secti), a Tecnologia Social compreende produtos e metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que represente efetivas soluções de transformações sociais. A RTS foi criada em abril de 2005, para promover o desenvolvimento sustentável pela difusão e reaplicação de tecnologias sociais, em larga escala.

Conforme Larissa, de lá para cá, a RTS a Rede de Tecnologias Sociais (RTS) já conquistou a adesão de 650 instituições, públicas e privadas, em todas as regiões do Brasil, sendo 58 na Bahia. Neste mesmo período, a RTS investiu quase 225 milhões, para melhorar a vida das comunidades produtivas, sendo R$ 218 milhões em reaplicação de tecnologias sociais e pouco mais de R$ 6 milhões em sua difusão.

No I Encontro de Tecnologias Sociais na Bahia, a TS foi apontada como o melhor caminhos para reduzir as diferenças sociais e alavancar a economia com inclusão de novos agentes de produção geração de emprego e renda, sobretudo os agricultores familiares. No Brasil, as tecnologias sociais vêm sendo aplicadas nas áreas de educação, agricultura, sustentatibilidade ambiental, água, e reciclagem de resíduos, dentre outros setores.


No encerramento do evento foi realizada uma mesa redonda que discutiu o financiamento público para a inovação em TS. Em seguida, foram debatidas as demandas de TS, a partir das Territórios de Identidade, com foco para as estratégias para transformar demandas em políticas públicas, com a participação de Jerônimo Rodrigues, da Secti e André Souza, da Coordenação estadual dos Territórios (CET). O I Encontro de TS na Bahia foi encerrado com a conferência “Apontamentos e encaminhamentos para a consolidação da inovação e tecnologia social na Bahia”, a cargo do professor Aelson Andrade, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O secretário estadual de C&T, Ildes Ferreira, que estava em viagem oficial, foi representado no encerramento pelo chefe de gabinete da Secti, Pedro Torres Filho.

Região do Semi-Árido vem sabendo aproveitar as tecnologias sociais

Entre as tecnologias sociais discutidas pelos representantes dos Territórios de Identidade um dos destaques foi o programa de construção de cisternas na região do semi-árido, inclusive na Bahia, para garantir água para a lavoura e o consumo das populações e dos rebanhos afetados pela seca e diversos trabalhos de educação ambiental. O processo consiste na captação da água de chuva, em um reservatório (bem maior do que a cisterna tradicional para uso humano) e em um sistema de irrigação, que pode ser operacionalizado manualmente, por bombeamento ou gotejamento. Com a água de um cisterna de 16 mil litros, por exemplo, é possível irrigar um “quintal produtivo” de 10 metros quadrados com uma plantação de verduras, regar mudas e ter água para os animais de pequeno porte.

Outra tecnologia social que vem sendo empregada com sucesso na região do semi-Árido é a Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), montada em torno de um sistema de anéis, cada um destinado a um determinada cultura sazonal, que complementa a que vem a seguir. Segundo a Larissa Barros, coordenadora da RTS, o centro do sistema da agricultura familiar ecológica é utilizado para a criação de pequenos animais, como galinhas caipiras. Já o esterco produzido pelos animais é empregado para adubar a horta. Somente no PAIS já foram investidos cerca de R$ 33 milhões.