Primeiro Secretário de C&T do Brasil diz que a Bahia pode ser exemplo nacional na produção de biocombustíveis

01/06/2015

A Bahia tem condições de iniciar um projeto-piloto de produção de energias renováveis, para substituir o petróleo e exportar, estender essa iniciativa para toda a região Nordeste e gerar uma enorme fonte de riqueza e desenvolvimento sustentável. Para isso, conta com uma grande extensão de terras não utilizadas, recursos naturais abundantes e a participação de pequenos produtores da agricultura familiar. O primeiro passo para este projeto é criar uma empresa mista para a produção de energias renováveis, a partir do álcool e de óleos vegetais.

A proposta é defendida pelo o físico e engenheiro José Walter Bautista Vidal, considerado uma das maiores autoridades do país em produção de energia. Primeiro Secretário de Ciência e Tecnologia do Brasil, responsável pela implantação do Proálcool e por cerca de 30 instituições de pesquisas e centros tecnológicos, no Brasil, dentre eles o CEPED, na Bahia, Bautista Vidal, nascido em Salvador há 75 anos, recebeu da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), uma placa de agradecimento pelos relevantes serviços prestados à Bahia e ao Brasil na busca pela soberania energética do país e pelo desenvolvimento tecnológico nacional.

A homenagem, que prossegue durante toda esta semana com uma exposição sobre Bautista Vidal, foi feita no primeiro dia da Semana Nacional de C&T, no final da tarde de segunda-feira (dia 18), no auditório da Faculdade Universo, na Avenida Antônio Carlos Magalhães, em Salvador. Ao entregar a placa ao homenageado, o secretário estadual de C&T, Feliciano Tavares Monteiro, afirmou que “Bautista Vidal é a síntese da energia da Bahia, um jovem e enérgico senhor para quem a energia é fundamental para o desenvolvimento, energia limpa e renovável”.

Ao agradecer a homenagem, o professor, considerado um “mestre da biomassa” pela enfática defesa da substituição do petróleo e seus derivados pelo álcool e pelos óleos vegetais, Bautista Vidal contou que, em 1969, foi chamado ao Rio de Janeiro, pelo então governador Luís Viana Filho para criar na Bahia a primeira Secretária de C&T do Brasil. “Fiquei surpreso, mas governador garantiu que eu teria carta branca para trabalhar e eu aceitei. Devo dizer que ele cumpriu com sua palavra”, lembrou o físico baiano.

Assim foi criada a Secretaria da Ciência e Tecnologia da Bahia – atual SECTI – a primeira do Brasil, com a finalidade planejar e executar a política do Estado no campo da ciência e tecnologia, planejar, estimular, orientar, coordenar e regular as atividades científicas e tecnológicas de modo a contribuir substancialmente para acelerar o desenvolvimento socioeconômico da Bahia, além de promover a adaptação de conhecimentos científicos e tecnológicos provenientes de outros Estados ou países, ao desenvolvimento socioeconômico baiano.

Com a Amazônia Azul, Brasil quer ampliar sua Plataforma Continental

Antes da homenagem a Bautista Vidal, o Capitão de Fragata, André Moraes Ferreira, encarregado do Serviço de Sinalização Náutica do Leste, falou sobre a “Amazônia Azul”, como é chamada a faixa litorânea sob o domínio do Brasil devido à sua rica biodiversidade e à grande reserva de recursos naturais. Segundo Ferreira, já no próximo ano, o Brasil vai reapresentar, à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), a proposta  de aumentar a extensão dos limites de sua Plataforma Continental além das 200 milhas náuticas atuais (370Km), o que, se aceito, representará mais 963 mil quilômetros quadrados, tornado o espaço maior do que a “Amazônia Verde”. Uma das áreas que o Brasil quer incorporar à chamada “Zona de Exploração Exclusiva” (ZEE) é o arquipélago de São Pedro e São Paulo, situado quase no meio do Atlântico e mais perto de Fernando de Noronha.

O Capitão de Fragata disse que a “Amazônia Azul” apresenta enorme potencial de desenvolvimento para o País, nos setores de petróleo e gás natural, turismo sustentável, pesca, comércio exterior e navegação, dentre outros.  Porém, assim como a Amazônia verde, a Azul também está ameaçado pelos interesses internacionais e pela biopirataria, cabendo ao Governo Brasileiro vigiar as suas águas e defender o seu patrimônio.