Caruru marca entrega de Centro Digital de Cidadania em Terreiro

28/05/2015
A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) entregou um Centro Digital de Cidadania no terreiro Oia Deji, da Nação Ketu, em Paripe, no Subúrbio Feroviário de Salvador.

Foi uma festa que alegrou principalmente as crianças e os adolescentes, representados pelos sete meninos que, antes de todos os presentes, desgustaram o caruru de São Cosme e Damião, como manda o secular ritual dos festejos dos ibejis. O prato tradicional do mês de setembro, que inclui vatapá, feijão fradinho, arroz, caruru, galinha de xinxim, pipoca e bombons para as crianças, começou ser servida a 12:30. Depois dos sete meninos, foi estendida também a cerca de duzentos convidados, dentre eles muitos filhos e filhas-de-santo, trajados conforme a religião dos orixás.

A ialorixá Maria José Pereira Ribeiro, sacerdotisa do Oia Deji, disse que as crianças carentes do entorno do terreiro não estão acostumadas a utilizar as ferramentas da informáticas e que todas gostariam de ter um computador em casa. ?Agora, todos poderão usar o CDC do terreiro?, comemorou Maria José. A ialorixá teme experiência no ramo, pois, em 2004, contribuiu, pessoalmente, para que 16 jovens de Paripe pudessem participar de um curso de informática.

Foi o interesse na capacitação para o emprego que levou a estudante Daiane Jesus Silva, de 20 anos, à inauguração do CDC. ?Este Centro vai ser muito útil para todos aqueles que não podem pagar por um curso de informática e capacitação para o mercado de trabalho?, afirmou Daiane. O Centro está dotado de dez computadores, uma impressora e permite o acesso à internet banda larga.

A cooordeandora-executiva do Programa Cidadania Digital, Rúbia Carvalho, destacou que a instalação do CDC em um terreiro de candomblé demonstra o respeito oficial pela diversidade de credo e pela tolerância relgiosa, já que centros semelhantes também foram instalados em associações católicas e evangélicas, dentre outras. Antes do terreiro de candomblé, o CDC já havia chegado tribos indígenas, de Santa Cruz de Cabrália, no sul da Bahia e a assentamentos de trabalhadores rurais de Santaluz e Conceição do Coité, municípios da região sisaleira do Estado. Brevemente, chegará também a comunidades quilombolas, numa prova da abrangência do Programa Cidadania Digital.

Atualmente, já são mais de 500 CDCs em operação, distribuídos em mais de 400 municípios baianos. O Programa Cidadania Digital tem foco na inclusão sociodigital e, para isso, possui ações de capacitação e cidadania, potencializando novas possibilidades de renda para as comunidades envolvidas. Em média, 43 mil pessoas passam pelos Centros Digitais de Cidadania diariamente. Entre os mais de 500 mil usuários cadastrados, há uma grande parcela de estudantes que utilizam os CDCs para aprofundar os conhecimentos de salas de aulas e pessoas que tiveram nas unidades o primeiro contato com computadores.

O principal público beneficiado pelo Cidadania Digital é de baixa renda. Dados do Sistema de Cadastro do Cidadão apontam que quase 90% dos usuários do programa têm renda familiar de até dois salários mínimos. O sistema de cadastro também revela que os jovens são o público prioritário do Cidadania Digital: 67% dos usuários têm até 21 anos de idade e 93% do público freqüenta escola pública. Como conseqüência do seu impacto, em 2007 o programa foi contemplado com três importantes premiações, dentre elas o Top Social, maior prêmio de responsabilidade social do Norte/Nordeste.