O projeto da também chamada Escola de Ciências de Serrinha, que tem o apoio do renomado cientista Miguel Nicolelis, prevê, dentre outros conteúdos, aulas de Ciência e Arte, que incluem as artes plásticas, ciências e música, desenho animado e curtas-metragens. Detalhes atualizados do projeto foram apresentados na tarde de hoje (dia 09), ao secretário estadual de C&T, Eduardo Ramos e a técnicos da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da Secretaria Estadual de Educação (SEC), pela professora Dora Maria de Almeida Prado Montenegro.
Ela é diretora de Projetos e Ações Sociais da Associação Alberto Santos Dumont para Apoio á Pesquisa, responsável pela implantação da Escola de Serrinha, que conta com recursos do Programa Estadual de Incentivos à Inovação Tecnológica (Inovatec). O Centro de Educação Científica do Semi-árido contará também com o Instituto de Biotecnologia e Bioprospecção, em Feira de Santana, para dar suporte aos pesquisadores.
O objetivo do empreendimento é garantir a inclusão social de alunos da escola pública por meio de conceitos e práticas básicas da ciência moderna, para formar cidadãos críticos e atuantes. Para isso, implantará oficinas e laboratórios de Ciência e Tecnologia, Ciência e Meio Ambiente, Ciência e Robótica e Ciência e Arte. Ao todo serão oferecidas 400 vagas, através de sorteio. Para concorrer a uma das vagas o estudante deve estar cursando da 5ª à 7ª série do ensino fundamental, já que deverá permanecer, no mínimo, dois anos no curso.
As aulas serão ministradas duas vezes na semana, de segunda à quinta-feira, com duração de três horas, respeitando o calendário escolar regular e os alunos serão divididos em 4 turmas de 25, por dia. Nas Oficinas de Ciência e Tecnologia, os estudantes terão formação em mecânica e matemática. Na de Ciência e Ambiente aprenderão noções de bioquímica, química, ciências ambientais e biodiversidade. Em Ciência e Robótica, a ênfase será dada à mecânica e eletrônica, diversos programas de robótica e “engenhocas robóticas”. O módulo Ciência e Arte valorizará as artes plásticas, a música, o desenho animado e a produção de curtas-metragens. A Escola de Serrinha terá ainda um Centro de Formação Continuada para o intercâmbio de conhecimentos entre os professores da instituição e os docentes da rede pública de ensino, além de um laboratório de informática com 26 computadores.
“Vamos trabalhar contra a lógica perversa do fracasso, transformando a ciência de ponta em um agente de transformação social e problematizando a realidade social do aluno”, observou a professora Dora Maria. O secretário Eduardo Ramos considerou o projeto de grande importância, observando que ficará muito satisfeito em detectar no empreendimento, já em fase de implantação em Serrinha, características de inovação com capacidade para gerar benefício para uma parte significativa da população baiana.
Eduardo Ramos manifestou o desejo de, na próxima reunião para discutir o projeto, contar com a participação de Miguel Nicolelis, atualmente à frente do Centro de Neuroengenharia da Universidade de Duke, no Estado americano de Carolina do Norte. Apenas uma das pesquisas desenvolvidos no centro tem orçamento de US$ 30 milhões. Cientista paulistano radicado há quase vinte anos nos Estados Unidos Miguel Nicolelis, 47 anos, desenvolve algumas das pesquisas mais importantes do mundo sobre o cérebro.
Atuando na área de fisiologia de órgãos e sistemas, o neurocientista brasileiro é responsável pela descoberta de um sistema que possibilita a criação de braços robóticos controlados por meio de sinais cerebrais. O trabalho está na lista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) sobre as tecnologias que vão mudar o mundo.Com o apoio de Nicolelis, o Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS) mantém, há três anos, uma escola em Natal e outra em Macaíba, no Rio Grande do Norte.