30/03/2023
Diálogo foi ministrado por Sonia Guimarães, primeira mulher doutora em física do Brasil
Cada vez mais as mulheres ocupam os espaços no campo científico. Porém, ainda existe uma desigualdade imensa da presença feminina e, principalmente, da mulher preta na ciência. Essa diferença é fortalecida pelo machismo e racismo que estão enraizados na sociedade. Para dialogar sobre o assunto, especialmente no mês da mulher, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) promoveram uma palestra, nessa quarta-feira (29), com a temática “Mulher negra, ciência e sustentabilidade”, que foi ministrada pela cientista Sonia Guimarães.
A parceria para realização do encontro faz parte de uma ação conjunta para a divulgação e produção de eventos científicos voltados para as mulheres. “Com o intuito de criar um calendário de divulgação e apoio, reunimos um grupo com representantes que articulam trabalhos voltados para as mulheres na ciência. A primeira ação dessa rede foi apoiar o evento realizado hoje. A palestra foi ministrada por Sonia Guimarães, a primeira a se formar na família, a primeira doutora em física do país, dentre outras conquistas. Falar sobre a mulher, principalmente a mulher negra, na ciência é fundamental para continuar quebrando barreiras”, diz a diretora de Políticas e Programas da Secti, Sahada Josephina.
Sonia Guimarães, doutora em Materiais Eletrônicos pela Universidade de Manchester, destaca o trabalho já realizado por cientistas negras e fala sobre a importância de se investir em iniciativas voltadas para o protagonismo negro nas áreas científicas. “Tem negras doutoras, negras premiadas, negras estudando, enfim, elas existem. Elas não são invisíveis. Alguém tem que mencioná-las e eu faço isso toda a oportunidade que tenho. Precisamos de mais recursos para as mulheres negras. Então, precisa ter bolsa, precisa ter apoio, incentivo nas universidades e bolsa no nível médio. Uma política afirmativa é fundamental. É necessário investimento para o número de mulheres pretas na ciência aumentar ainda mais”.
Para Karine Oliveira, assessora especial da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), esses diálogos são fundamentais para desmistificar a ciência. “Crescemos entendendo que a ciência era algo distante e que pertencia a homens brancos e ricos. Quando começamos a realizar encontros como esse, aproximamos a ciência da juventude negra. Essa representatividade é muito importante”, afirma. A palestra, que aconteceu na Uneb e foi transmitida pelo Canal do YouTube Elas nas Exatas Uneb, faz parte da programação do V Workshop: Homenagem à presença feminina no desenvolvimento científico e tecnológico, idealizado pela universidade estadual e o Projeto Elas nas Exatas.