Segundo os conferencistas, o fortalecimento passa também pela criação de novos talentos, que devem ser incentivados ainda no ensino fundamental, através da concessão de bolsas de iniciação científica júnior. Foi o que recomendou, por exemplo, o Grupo 1 de Trabalho, que discutiu o tema Sistema Nacional / Estadual de CT&I. O grupo defendeu ainda que os 30% dos Fundos Setoriais destinados ao Nordeste sejam repassados diretamente para os Estados da região, como forma de reduzir as perdas históricas de recursos, decorrentes, em muitos casos, pela fragilidade de alguns Estados em apresentar projetos consistentes para financiamento em CT&I.
“Os investimentos têm crescido, mas ainda estão aquém da necessidade para o Brasil se tornar mais competitivo em relação aos demais países emergentes. Enquanto o país aplica apenas 0,7% do PIB em CT&I, a Coréia do Sul e outros países investem 2% ou mais”, afirmou o mediador do grupo, Domingo Haroldo Reinhardt, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Dentre as propostas aprovadas na plenária final, estão a prioridade para as ações de CT&I nas regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e PIB, a interiorização da política estadual para o setor, a busca de vantagens competitivas nos mercados emergentes e a criação e o fortalecimento de sistemas locais de inovação em instituições de ensino e tecnologia da Bahia. Outras sugestões foram a criação de centros de pesquisas vinculados ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o reforço da estrutura da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), com quadro de pessoal e orçamento estáveis e diretoria científica com mandato, além da criação de novos cursos de pós-graduação em áreas estratégicas e o fortalecimento dos cursos já existentes no Estado.
A plenária recomendou também o estímulo a formação e fixação de doutores, a desburocratização e agilização do fomento à pesquisa, um estudo sobre a possibilidade de vincular as universidades estaduais e instituições de ensino científico e tecnológico à à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), promotora da III Conferência Estadual de CT&I, e também o incentivo a empresas que invistam em CT&I na Bahia, desde que haja contrapartida social. As propostas contemplaram temas como Inovação na Sociedade e nas Empresas, Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas, CT&I para o desenvolvimento Social e Clima, Meio Ambiente e Energia, além do Sistema Nacional/Estadual de CT&I.
Durante três dias e reunindo ma público numeroso e entusiasmado, abrangendo todos os Territórios de Identidade da Bahia, a III Conferência Estadual de CT&I discutiu , principalmente, os mecanismos e as políticas públicas para o Desenvolvimento Sustentável da Bahia, que garanta também a redução as desigualdades regionais e a melhoria de vida de todos os baianos.