Entrevista com secretário Manoel Mendonça: balanço e perspectivas

03/02/2016
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia, Manoel Mendonça, fez um balanço do ano de 2015, seu primeiro à frente da pasta, e projetou avanços para 2016. Nesta entrevista, o secretário da Secti também fala sobre importantes projetos e iniciativas desenvolvidos pela atual gestão. Confira, abaixo, na íntegra, a entrevista.

Balanço do 1º ano à frente da Secti

O ano de 2015, todos sabem, foi um ano difícil. Foi um ano de bastante planejamento, mas nós fizemos questão também de começar a executar iniciativas importantes. As duas que coloco em evidência seria o projeto de Banda Larga e o projeto da rede de parques e espaço de inovação no estado da Bahia. Esses são dois projetos ambiciosos que vão requerer trabalho nos próximos dois anos. Retomamos uma série de outros projetos que estavam aqui, mas que precisavam de um encaminhamento, entre eles o Museu de Ciência e Tecnologia; uma série de convênios que tínhamos para o Parque Tecnológico de Salvador, que nós alinhamos e vamos começar a construção. Em resumo, eu diria que 2015 foi um ano de bastante planejamento e de atividades nesta nova gestão, enquanto 2016 vai ser um ano de bastante execução.

Avanço da Secti em alguns setores

Em vários setores nós avançamos e em outros setores o trabalho foi mais de planejar e arrumar a casa para agora acelerar em 2016. A Praça da Ciência é um exemplo. Era um projeto que já estava encaminhado pela Secretária Andrea, minha antecessora, mas que nós começamos a acelerar esse ano, que entregamos 10 praças e no ano de 2016 vamos entregar mais outras 25.

Vislumbramentos de 2016

É um ano em que temos várias coisas em execução. Um ano que vai ser bastante de fazer, mas sem esquecer também de captar novos recursos para a Secretaria. O ano de 2016 vai ser reflexo um pouco de 2015, ainda vai ser um ano bastante difícil, mas nós fizemos um planejamento bastante estruturado. É um ano em que nós também vamos buscar parcerias e captação de recursos para que esses projetos grandes que falei - Banda Larga e Espaços de Inovação - possam ser executados e acelerados em 2017 e 2018.

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

A SNCT é uma semana que, ao meu ponto de vista, é um compromisso importantíssimo da Secti – um dos papéis principais da Secti é a popularização da Ciência e Tecnologia- e a SNCT é o nosso evento maior. Como você salientou na pergunta, foi um ano difícil, então a captação desse valor mencionado, de mais de R$ 400 mil junto a parceiros, foi uma vitória para a gente, mas a gente quer fazer, nesse ano de 2016, um evento, pelo menos, do mesmo porte do evento de 2015. Talvez até maior. Aprendemos bastante em 2015, porque nós mudamos a locação do evento. No ano de 2016 vamos repetir o local no Senai Cimatec. Eu acho que com essas lições aprendidas poderemos fazer um evento maior e melhor.

Avanço físico da revitalização do Museu

Nós já locamos recursos, nós já dividimos projetos - para aqueles que não sabem, o Museu de C&T foi o primeiro da América Latina, mas é um museu que estava fechado. Nós temos um museu fechado, o acervo nós vamos ter que trocar todo e o projeto vai requerer várias intervenções. Estamos trabalhando na finalização do projeto executivo. O projeto está dividido em três fases e 2016 é o ano de execução da fase 1, que é a parte da entrada do museu. Vai ter uma série de espaços de exposição e o projeto já foi apresentado para o MCTI, que recebeu o projeto muito bem. A luta agora é para conseguir a liberação dos recursos, principalmente do MCTI, para complementar a nossa contrapartida, executando essa 1 fase do projeto do museu.

Lançamento de edital para o Parque

É fundamental a atração de startups. Isso é uma âncora para o esforço de inovação, para o I da Secti. Neste sentido, o Parque tem uma série de espaços. Nós estamos procurando ampliar o espaço das empresas startups dentro do Tecnocentro, que seu projeto inicial era feito pra isso, e ao mesmo tempo estamos fazendo um esforço para construir áreas para abrigar as grandes empresas em prédios ao lado do Tecnocentro. São dois esforços que estão indo de mãos dadas. Estamos atualmente tentando atrair grandes empresas para construir novos prédios dentro do Parque Tecnológico, como aumentar a presença de empresas incubadas dentro do Tecnocentro, que é o prédio âncora do Parque Tecnológico da Bahia.

Movpak- Challenge Cup

Esse foi um caso de sucesso. É uma empresa que tem sido premiada. Existem outros casos de sucesso de empresas que estão sendo graduadas, passam de empresas incubadas para empresas residentes do Parque. É bom salientar que as empresas incubadas, a definição que eu uso de empresas que tem produtos em busca de um modelo de negócios, trabalham com bastante tecnologia, mas com coisas inovadoras. A taxa de falhas deste tipo de empresa é uma taxa alta, então é motivo de muito orgulho quando conseguimos graduar empresas. Quer dizer, nós pegamos uma empresa, incubamos e conseguimos transformar em uma empresa que anda com as próprias pernas. Esse é um dos grandes desafios e é um desafio em que vamos agora ter que enfrentar, porque a maioria das empresas que estão no Parque, as primeiras incubadas, tem três anos e estão na época de graduar. Ou nós graduamos essas empresas ou elas saem do Parque e nós atraímos novas para substituí-las. Estamos em uma nova fase e 2016 vai ser um ano de desafio também neste sentido. Não só vamos incubar empresas, como acelerar a graduação de quem estiver apto para tal.

Convênio com Coelba

Nós assinamos. Foi uma vitória! É um convênio entre a Ufba, a Coelba e a Secti para a criação de um laboratório de certificação de componentes para a área de geração fotovoltaica de energia. Significa que vamos ter um laboratório que é capaz de certificar, por exemplo, uma placa solar, se ela resiste às intempéries do tempo. Isso é uma coisa muito importante para apoiar uma área. E aí vem a outra dimensão da resposta que nós consideramos fundamental para o desenvolvimento do Estado da Bahia, que é a área de energias renováveis Então a área de geração de energia, através, da energia solar, é uma área que queremos fomentar e pra isso é preciso desses laboratórios de certificação. Neste sentido, é uma vitória importante e também é um laboratório que muda um pouco o perfil das coisas que temos hoje no Parque. É um laboratório essencialmente voltado para a área de energia, que sempre foi um dos vetores do Parque, mas que era o vetor que talvez tivesse menos presença no Parque. Nós temos muitas empresas de Ti, temos algumas empresas importantes na área de saúde (notoriamente eu diria a Fiocruz, que é um centro de pesquisa importante) e agora estamos certificando um laboratório da área de energia e, com isso, fechamos a tríade, por assim dizer, que era TI, Saúde e Energia. Que formam o projeto original do Parque.

Projeto de Banda Larga

Vou explicar um pouco a ideia do projeto. A ideia do projeto Banda Larga é levar rede de dados de boa qualidade para o Estado da Bahia. É um projeto difícil e complexo. Ele envolve, por exemplo, investimento para colocar fibra ótica em vários locais do Estado, inclusive áreas onde não há um retorno financeiro jogar fibra ótica. Então é um custo muito alto e, como são áreas pobres, o retorno financeiro imediato não é grande, o que não deixa atraente para as operadoras de telefonia.

É um projeto que envolve muitas dimensões. Esse ano, estudamos bastante o projeto, pois, pela sua complexidade, ele envolve várias perspectivas, as quais eu gostaria de citar algumas. Uma delas é conversar com as próprias grandes operadoras ou grandes fornecedores de serviço e transmissão de dados. Nós assinamos, por exemplo, convênio com a Telebras, que é uma empresa de comunicação muito forte em todo o país e tem um histórico de investimento na área social. Empresa essa que tem 20 mil quilômetros de fibra ótica e está muito interessada em desenvolver iniciativas conosco. Essa foi uma dimensão importante.

A outra dimensão também, talvez até mais importante, é que nós alinhamos bastante os nossos esforços junto aos pequenos provedores de Internet que estão em todos os municípios da Bahia. Esse é um ator fundamental, eles estão fornecendo comunicação de dados e a grande dificuldade deles é conseguir grandes infovias de ligação com a capital ou pontos de troca de tráfego, que é o termo que eles usam para os pontos aonde a internet chega. Nós estamos conversando com todos eles para ajudá-los para que esses backbones ocorram e esses pontos de troca de tráfego sejam estabelecidos. O terceiro é a conversa com todos os municípios, inclusive com a União dos Municípios da Bahia (UPB) para usar os anéis digitais municipais, para poder integrar esses anéis digitais e levar banda larga, principalmente a unidades administrativas que precisam, como saúde, delegacias e escolas públicas. Precisamos fazer a banda larga chegar a essas unidades.

Uma outra iniciativa também importante é tentar fortalecer aqueles anéis que nós chamamos de redes municipais, que ligam municípios usando fibra ótica. Existe hoje um anel aqui na Bahia, que liga todas as unidades de governo, universidades e prefeitura, que é a rede de Salvador. Ela é uma rede que tem vários quilômetros de fibra ótica. Nós ajudamos a expandir essa rede, mas nesse ano de 2016 vamos iniciar o apoio à criação do Gigasul, que é uma rede Comep que vai interligar a região de Ilhéus, Itabuna e vários outros municípios, ligando com o anel que já tem em Itabuna, por exemplo. Essas são algumas iniciativas em fibra ótica. Essas iniciativas vão dar resultados bastante rápidos para o governo. Em longo prazo nós estamos conversando com a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), que interliga as Universidades Brasileiras e, que, na verdade, foi a grande coluna central da Internet brasileira. Foi quem primeiro colocou fibra ótica e quem primeiro estabeleceu a internet no Brasil. A Bahia hoje tem 10 universidades e, além delas, tem os Institutos Federais de Ciência e Tecnologia. A RNP, por Lei, tem que interligar essas instituições de ensino superior públicas. Nós estamos trabalhando com eles para que, quando puxarem isso, nós compartilharmos também banda larga para poder chegar ao interior do Estado. Achamos que isso vai ter um efeito catalisador, vai ajudar a multiplicar, principalmente ajudar pequenos provedores a conseguir pontos de troca de tráfego com essa rede de fibra ótica que tá sendo criada pelo interior da Bahia.