Mais de 800 estudantes participaram da 22ª Semana Nacional de C&T ocorrida no Território de Identidade Sertão do São Francisco

24/10/2025
Matheus Souza
Fonte/Crédito
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Incentivar entre os jovens o debate e o acesso à ciência e tecnologia. Este foi o propósito da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), ocorrida no Território de Identidade Sertão do São Francisco. O evento, que aconteceu no campus do Instituto Federal da Bahia (IFBA) de Juazeiro entre os dias 22 e 25 de outubro, teve como tema central “Planeta Água: cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”, tema que norteou todos os eventos ligados à SNTC no país.

Com a presença de aproximadamente 800 estudantes durante os quatro dias, a 22ª SNCT trouxe ao público a oportunidade de se conectar com a ciência mediante experiências práticas, criativas e imersas na realidade local. A programação contou com vinte ações, entre oficinas, palestras, mesas redondas e exposições. Pesquisadores, professores, gestores e alunos do território debateram, entre outros temas, questões ambientais numa região onde o Rio São Francisco enfrenta adversidades (secas etc) decorrentes das mudanças climáticas em curso.

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As atividades refletiram as características socioeconômicas do município, que, segundo o IBGE, é o maior produtor de frutas da Bahia, com faturamento superior a R$589 milhões. Essa vocação inspirou um dos projetos apresentados pelos estudantes na SNCT, que desenvolveram uma história em quadrinhos sobre a fruticultura no Vale do São Francisco. “Nosso trabalho se chama O Vale que Alimenta o Mundo. Uma história com três personagens que explicam os impactos positivos e negativos da fruticultura, como geração de emprego e renda, mas também o uso de agrotóxicos e a dependência de mercados externos”, explicou Luiza Mariani, uma das alunas envolvidas na criação.

Outro grupo destacou o potencial energético do território, apresentando uma maquete interativa da Hidrelétrica de Sobradinho, construída com materiais recicláveis e componentes eletrônicos reutilizados. “Usamos motores de brinquedos e LEDs reaproveitados para mostrar como a energia da água e do vento pode ser transformada em energia limpa. Nosso objetivo foi mostrar que é possível inovar mesmo com poucos recursos”, explicou Marcos Andrade, aluno do IFBA.

Para o professor Lucas Oliveira, do Instituto de Ciências da Saúde e do Laboratório de Neurociências da UFBA, o envolvimento estudantil foi o ponto alto do evento. “Tivemos alunos que se mostraram verdadeiras lideranças nesse evento, cuidaram da cenografia, auxiliaram na organização e na gestão de pessoas. Foi inspirador ver esse engajamento”, destacou.

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A realização da SNCT no Território de Identidade Sertão do São Francisco foi fruto da parceria de múltiplos agentes. Representando a Universidade Federal da Bahia (UFBA), o professor Lucas Oliveira; Sizenando José de Andrade, professor do IFBA Juazeiro; Vanusa Flor, do Museu do Mar Aleixo Belov; Taís Ribeiro, da AimoTech; e Elizabeth Neves, do Laboratório de Invertebrados Marinhos da UFBA. A ação teve financiamento via CNPq/Capes e apoio da Fundação Aleixo Belov, do Parque Tecnológico da Bahia e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado (Secti).

Interiorização - A participação do Parque e da Secti reforçaram o compromisso do Estado da Bahia com a interiorização das políticas públicas de CT&I. “A nossa proposta é levar as ações de ciência e tecnologia para o interior do Estado. E vocês, estudantes, como atores relevantes dentro desse ecossistema, precisam se ver nesse lugar de cientistas, capazes de transformar a realidade e gerar desenvolvimento socioeconômico para a Bahia”, afirmou Juliana Melo, especialista em inovação do Parque Tecnológico em seu discurso de abertura.

Para Georgheton Nogueira, diretor de Indução para o Desenvolvimento Científico da Secti, o engajamento da juventude é essencial para o futuro da ciência no Estado. “Os desafios da inovação seguem para o futuro e os projetos desenvolvidos nas escolas ajudam a formar profissionais, despertar vocações e dar sentido à vida dos jovens”, afirmou.

Nogueira concluiu sua fala destacando desafios centrais e que buscam fortalecer a pauta da inovação. “Precisamos consolidar o tema da ciência e tecnologia na sociedade como algo concreto, estruturar políticas públicas locais para apoiar a inovação nos municípios e repensar o modelo de desenvolvimento no semiárido a partir de sua economia, agricultura e até a arquitetura das cidades. Poucos territórios têm tanta singularidade e potencial quanto o nosso”, concluiu.

Fonte: Ascom Parque Tecnológico da Bahia/ AEPTECBA