O consumo perdulário de energia elétrica faz com que o Brasil desperdice o equivalente a 45 bilhões de KWh (kilowatts/hora), causando um prejuízo de R$ 10 milhões por ano e obrigando o sistema nacional de energia elétrica a construir mais usinas para cobrir o desperdício. A informação foi prestada pelo professor Milton Marques, consultor da área de eficiência energética, ao participar, na tarde de hoje (dia 24), no auditório da Desenbahia em Salvador, da 5ª edição do Secti Feedback, evento interno da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).
Engenheiro elétrico e matemático, com serviços prestados à Eletrobrás, a holding do sistema energético nacional, Marques fez uma palestra sobre a Tecnologia da Informação para o planejamento energético do país. Segundo ele, “10% do que o Brasil consome em energia elétrica têm sido jogados fora pelo uso perdulário”. “Esse dinheiro poderia muto bem ser aplicado em outras áreas mais prioritárias”, observou.
O professor Marques revelou que a capacidade instalada do Brasil é, atualmente, de 107,6 milhões de KW, energia suficiente para alimentar todo o sistema. O problema, conforme o especialista, é que 73% dessa energia vêm da capacidade hidráulica (usinas hidrelétricas), o que torna o sistema vulnerável à uma estiagem prolongada. Já as usinas térmicas são responsáveis por 25,9% da geração de energia elétrica e as eólicas respondem por apenas 0,69%.
Ao abrir o evento, o secretário estadual de CT&T, Feliciano Monteiro, falou sobre a importância dos analistas simbólicos, um novo profissional que entrou em cena nos países desenvolvidos e emergentes “formadores de opinião, dotados de extraordinário censo crítico e de poder de mobilização, que têm os mesmos gostos e as mesmas rotinas de trabalho”. De acordo com Monteiro, os analistas simbólicos só se instalam em alguns sítios bem específicos, nos quais além da democracia, são exigidas outras condições de entorno, a exemplo de boas escolas para seus filhos, academias e centro de pesquisas, proximidades de aeroportos não congestionados, oportunidades de emprego e renda; enfim de tudo aquilo que possibilita uma melhor qualidade de vida e o pleno exercício da cidadania.
Ainda no Secti Feedback 5, os funcionários da Secti tiveram a oportunidade de conhecer o Programa Onda Digital, de inclusão digital com a utilização de software livre, desenvolvido pelo Programa Permanente de Extensão do Departamento de Ciências da Computação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Programa Juventude Incluída, executado pelo Instituto Aracá-Mirim, em Lençóis, na Chapada Diamantina, para qualificação profissional de jovens, na área de informática, meio ambiente e metarreciclagem.
Já o coordenador de Tecnologia da Informação e Comunicação da Secti, Carlos Stucki abordou a“Computação em nuvem”, um novo conceito para armazenamento de dados num ambiente virtual. O objetivo do Secti Feedback é socializar informações da Secti, com o objetivo de ampliar conhecimentos, combater a alienação sistêmica, científica e política.