Na Bahia, os caminhos da ciência e tecnologia levam para o interior do estado. A Secti tem apostado em ações que levam desenvolvimento para fora dos grandes centros. Depois de décadas convivendo com a mutilação de mãos e braços de trabalhadores, a região sisaleira tem agora uma forma segura de manter a atividade tradicional. Com o apoio do Governo do Estado, o invento de José Faustino, que fez apenas os primeiros anos da escola formal, já está no campo. É a máquina Faustino V permite que a fibra do sisal, usada principalmente no artesanato e confecção de cordas, seja retirada das folhas sem risco de perda dos membros. A boa ideia se tornou um exemplo prático de tecnologia social, com ganho direto para uma comunidade.
Também no Semiárido, 400 meninos e meninas ganharam uma nova forma de ver o mundo. São os alunos do Centro de Educação Científica do Semiárido. Duas vezes por semana, os alunos moradores das áreas com maiores problemas sociais de Serrinha participam de oficinas complementares à escola regular. São aulas de robótica, meio-ambiente, tecnologia e arte. Os estudantes têm formação cidadã através da educação científica e aprendem a montar robozinhos, noções de eletrônica e até a produzir desenhos animados. A Escola de Ciências de Serrinha, como acabou apelidada, foi idealizada por um dosmaiores cientistas brasileiros, Miguel Nicolelis, e é gerida pela Associação Alberto Santos Dummont de Apoio à Pesquisa.
Ensino e apoio à atividade econômica andam juntos nos Centros Vocacionais Tecnológicos Territoriais. São os CVTTs que buscam uma afinidade estreita com a realidade de cada região, potencializando o resultado dos seus trabalhos. A comunidade participa do debate que vai estabelecer e apresenta as demandas de laboratórios e treinamentos com base na atividade econômica que já é desenvolvida na região. Desta forma, os centros se tornam projetos territoriais. Em Tancredo Neves, por exemplo, foi aproveitada a vocação da mandiocultura, e o laboratório oferece treinamento e serviços de análise de solo de forma mais barata e mais rápida. Em Eunápolis, a escolha levou em conta a forte presença da indústria moveleira. Já em Senhor do Bonfim, a caprinovinocultura foi escolhida como foco da unidade. Os Centros também são usados para a aulas práticas das disciplinas científicas, por professores da rede pública.
No fortalecimento do empresariado, destaca-se também o programa Progredir. Avaliado pelo BID – o Banco Interamericano de Desenvolvimento como o programa de apoio aos Arranjos Produtivos Locais com estágio mais avançado do país, o Progredir está presente em 68 municípios de 14 Territórios de Identidade da Bahia. São ações em 11 segmentos produtivos. No setor de Tecnologia da Informação, o foco foi a capacitação dos atores do sistema para estimular o fortalecimento das atividades. No de Confecções, está em franco funcionamento o Centro de Design de Moda, voltado a criar coleções inovadoras, com a cara da Bahia. Transformação Plástica, Fruticultura, Fornecedores Automotivos, Turismo, Piscicultura, Derivados da Cana, Caprinovinocultura, Rochas Ornamentais e Sisal também têm cadeias apoiadas.
Nas ações de popularização das ciências, a Secti inova com o lançamento da série de programas Todo Mundo Quer Saber. Exibidos pela TV E, numa parceria com a Secretaria da Cultura, e produzidos pela Casa do Verso, os programas mostram de forma lúdica o que os nossos cientistas e pesquisadores têm feito. A produção faz parte da estratégia de aproximar a população de temas cotidianos que parecem complicados como tecnologias sociais, parque tecnológico, invenções e inovação. O programa traz exemplos de diversas partes da Bahia estimulando a curiosidade e o interesse sobre ciência e tecnologia.