Empresários e pesquisadores se reuniram em fórum para debater a nanotecnologia

28/05/2015
Segundo o gerente de Tecnologia e Inovação da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Evando Mirra, a Bahia possui um setor empresarial sólido, em crescimento, mas que não tem explorado ainda, suficientemente, o potencial dessas novas tecnologias. “O Estado tem grupos de pesquisas fortes em nanociência, ligados à química, física, engenharia, ciência de materiais e à biotecnologia”, completa. O Fórum foi fruto de uma parceria do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti).

Para o professor Antônio Ferreira da Silva, coordenador do Departamento de Pós-Graduação de Física da Universidade Federal da Bahia (Ufba), existem diversos segmentos da indústria onde aos poucos estão sendo incorporados produtos e processos baseados na nanotecnologia. “Ela pode ser aplicada no setor de fármacos e na medicina, para o tratamento precoce de doenças. Cada vez mais, vemos a nanotecnologia embutida nos telefones celulares, na internet, na televisão”, disse. O professor alerta que a Bahia despertou tardiamente para a nanotecnologia e precisa criar uma tradição para que as pessoas se voltem para esta parte da ciência, que é o futuro da tecnologia no mundo inteiro.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia, Ildes Ferreira, disse que o Governo não tem poupado esforços para fomentar o desenvolvimento da nanociência na Bahia. “Estamos implantando o Parque Tecnológico, que será um habitat ideal para o desenvolvimento de pesquisas conjuntas que envolvam a academia e o setor produtivo nesta área”, relatou. Ildes Ferreira também citou o apoio à inovação tecnológica através de editais da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesb), órgão vinculado à Secti, e o fortalecimento dos grupos de pesquisa.

Bilionésima parte do metro – A nanotecnologia é uma nova área da ciência que está sendo explorada por cientistas e pesquisadores em diversos países do mundo, principalmente nos mais desenvolvidos, como Estados Unidos, China, Canadá e Inglaterra. Consiste em desenvolver formas de manipular a matéria em escala de nanômetros, a bilionésima parte do metro. A nanociência trabalha a nível molecular, átomo por átomo, para criar estruturas microscópicas, mas de grande complexidade. Foi criada pelo prêmio Nobel de Física Richard Feynman, que surpreendeu a comunidade científica ao diminuir em 25 mil vezes a página de um livro, colocando todo o conteúdo da volumosa Enciclopédia Britânica num espaço contido em uma cabeça de alfinete.