Pesquisa aponta que população de Salvador sofre estresse térmico

01/06/2015

O evento termina esta sexta-feira (dia 19) no teatro do Institut Goethe/ICBA em Salvador.

Coordenada pela professora Jussana Nery, do Laboratório de Conforto Ambiental, do Mestrado em Engenharia Ambiental Urbana (MEAU), da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (UFBA)  a consulta conta com o apoio da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI). A diretora de Fortalecimento Tecnológico da SECTI, Telma Cortês, também participou dos estudos.

Intitulada “Clima urbano, planejamento urbano e mudanças climáticas”, a pesquisa foi aplicada, no ano passado, por uma equipe multidisciplinar que mediu o grau de conforto térmico nas praças da Piedade, na Cidade Alta, e Cairu, na Cidade Baixa. Ao todo foram aplicados 1.055 questionários. Nas duas praças, a maioria dos entrevistados relatou sentir muito calor, seguido de calor e pouco calor, enquanto uma minoria afirmou sentir-se bem ou um pouco de frio.

A professora Jussana Nery apresentou outros resultados da pesquisa climatológica: a perda de qualidade de vida em virtude da ocupação desordenada do solo, com reflexo no clima urbano; a ausência de arborização extensiva, a retirada da cobertura vegetal, também de maneira extensiva, sobretudo na Avenida Paralela, a alta densidade de construção de imóveis e a utilização de materiais de construção que absorvem e armazenam muito calor, além da falta de cuidados com as áreas residuais como as dunas do Abaeté e os córregos de água da cidade.

“Em 2008 e 2009, Salvador foi submetida ao fenômeno climático de inversão térmica. Isso não era para estar acontecendo na cidade, por conta de sua localização litorânea”, observou Jussana. Ela e Telma Cortes vêm ainda realizando uma pesquisa para comparar a situação do clima urbano e a sensação térmica e em duas áreas habitadas por classes sociais distintas de Salvador: o Nordeste de Amaralina, bairro com população de menor poder aquisitivo, e a Pituba, área de classe média e média alta.

De acordo com Telma Cortes, “o projeto poderá contribuir para um desenvolvimento urbano mais sustentável e comprometido com a preservação e a utilização racional de recursos naturais do clima, para adequação ambiental dos espaços urbanos”. Jussana Nery, por sua vez, observou que “o clima urbano é uma fator de qualidade de vida. Salvador apresenta um problema à parte, pois não tem mais área de expansão e as áreas verdes são residuais”. O conforto térmico é estado de espírito que demonstra a satisfação com o ambiente térmico, ou seja, a temperatura, que envolve as pessoas.

Ainda no Simpósio Internacional a professora Eleonora Sad de Assis, da Universidade Federal de Minas Gerais, apresentou uma pesquisa semelhante à feita em Salvador. Segundo ela, a população da capital mineira também vem sentindo a sensação de desconforto térmico, devido ao aumento da temperatura.

Realização conjunta da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia (SECTI) Instituto Cultural Brasil-Alemanha (ICBA), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Associação Baiana de Ex-Bolsistas da Alemanha (ABEBA), o Simpósio Internacional discutiu, em dois dias, temas como as doenças provocadas pelo aumento da temperatura, as causas e efeitos do superaquecimento urbano e os efeitos das mudanças climáticas na saúde e temperatura, além do aquecimento e mortalidade urbana nos países em desenvolvimento.