Integração entre cientistas facilita desenvolvimento de novas tecnologias para o aproveitamento integral do sisal

29/05/2015
Estudos apoiados pela Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado (Secti) demonstram que o sisal pode ser totalmente aproveitado como matéria-prima para fabricação de móveis, alimentos e até medicamentos.

Com propostas de parceria em pesquisa e inovação, terminou hoje em Salvador o workshop: Parcerias para o desenvolvimento de Tecnologia e Inovação para a cadeia produtiva do sisal, promovido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) com o apoio da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Durante três dias, 15 cientistas da Bahia, de Minas Gerais e de São Paulo apresentaram as mais novas descobertas científicas para o aproveitamento integral do sisal e tiveram a oportunidade de conhecer a realidade da região sisaleira baiana em uma visita técnica.

Hoje, os trabalhos foram finalizados com as considerações sobre os aspectos observados nas áreas produtoras de sisal, apresentação de propostas e discussão de parcerias e projetos. O evento faz parte do projeto Sisal de Base Tecnológica, que tem como objetivo promover a inovação tecnológica de processos e produtos, incentivando e criando formas de apoiar o desenvolvimento de atividades baseadas na exploração sustentável do semiárido baiano.“A integração entre diversas instituições de excelência neste workshop é uma grande vantagem para que possamos, com toda a expertise desses centros de pesquisa, chegar às melhores soluções e tecnologias voltadas para o aproveitamento integral da fibra do sisal”, pontuou o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Paulo Câmera.

Ele frisou que a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação tem feito esforços para o desenvolvimento de processos, novos produtos e modelos de gestão voltados para a agregação de valor à cadeia produtiva do sisal. Paulo Câmera adiantou que pretende apresentar ao governador Jaques Wagner propostas para ajudar o setor sisaleiro a produzir mais e melhor, para elevar os indicadores econômicos e sociais da região. O Agave Sisalana é cultivado em 68 municípios do semiárido baiano e representa a principal atividade econômica da região, sendo responsável pelo sustento de milhares de famílias.

Na opinião da Profa. Dra. Maria Catarina Megumi Kasuya, do Departamento de Microbiologia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa, a visita à região sisaleira baiana foi muito importante. “Tivemos a participação do governo, da indústria e dos cientistas, e isso nos ajuda a integrar para facilitar o entendimento das necessidades regionais, direcionando as futuras pesquisas para o desenvolvimento de novas tecnologias”, pontou Kasuya.

Já a pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Ana Cristina Soares, considera que a visita técnica à região sisaleira baiana foi fundamental para ajudar os pesquisadores a entrar em contato com a realidade local. “Agora fica mais fácil pensarmos em alternativas viáveis. Além disso, o grupo está bastante engajado. Quanto mais os pesquisadores estiverem reunidos, melhores resultados vamos ter”, pontuou.

A pesquisadora avalia como extremamente positiva a iniciativa da Secti ao investir em pesquisas dessa natureza. “Esta ação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação é uma das melhores coisas que podiam acontecer para melhorar a produção do sisal e buscar alternativas para fortalecer sua cadeia produtiva”, opinou Ana Cristina.

Durante o workshop, os pesquisadores apresentaram as mais novas descobertas científicas para o aproveitamento integral do sisal. Entre outras novidades, eles mostraram que, mais do que a fibra, largamente utilizada no artesanato baiano, os outros compostos da planta podem ser aproveitados na formulação de xampu anticaspa, creme contra micoses e fungos, transformados em um cogumelo altamente nutritivo para alimentação humana ou até servir de matéria-prima para fabricação de móveis.

A descoberta de todas estas aplicações se tornou realidade a partir da pesquisa e inovação. Coube à Secti o papel fundamental de incentivar esses estudos, para obter o máximo aproveitamento do sisal com o objetivo de criar formas de apoiar o desenvolvimento de atividades baseadas na exploração sustentável do semiárido baiano. “Não queremos inventar a roda, queremos reunir quem sabe fazer. Nosso objetivo é agrupar cientistas de diversas áreas, criando um ambiente de pesquisa científica. Hoje só se aproveita 4% deste sisal, que é a fibra. Graças a estes estudos, que foram encomendados pela Secti, agora já sabemos que é possível aproveitarmos os demais 96%”, destacou o secretário Paulo Câmera.

Móveis em teste nas escolas

Uma novidade anunciada pelo secretário Paulo Câmera durante o workshop são as carteiras escolares produzidas a partir do sisal. “Elas são mais resistentes do que as carteiras convencionais e já estão sendo testadas em duas salas de aula de uma escola pública aqui em Salvador”, comentou.
Além das carteiras, o secretário citou que outros móveis e utensílios podem ser fabricados utilizando o sisal como matéria-prima. “ É possível produzir lixeiras, longarinas para salas de espera e até forro para construção civil”, destacou.

Subproduto vira cogumelo para alimentação

O resultado de um dos estudos apresentados durante o workshop revelou que um subproduto do sisal, resíduo atualmente descartado, pode se transformar em um cogumelo altamente nutritivo para a alimentação humana. A descoberta dessas propriedades alimentares veio do estudo Transformação do resíduo da cadeia produtiva do sisal em alimento de alto valor nutricional e de interesse econômico, coordenado pela Profa. Dra. Maria Catarina Megumi Kasuya. “Os resultados apontam que o resíduo do sisal seco é um bom substrato para a produção do cogumelo que pode ser utilizada para alimentação. Também fizemos uma pesquisa enriquecendo o cogumelo com selênio e o resultado foi muito satisfatório”, conta a pesquisadora. “Além dessas propriedades, esse cogumelo é um alimento muito saboroso”, assegura.

Na avaliação da professora, as descobertas das propriedades nutricionais do resíduo do sisal agregam valor à cultura desta planta, já que o suco é um resíduo do abundante no processo agroindustrial do sisal. O sisal é largamente produzido na Bahia, que responde por 95% da produção do sisal no Brasil, maior produtor do mundo.

Além da Universidade Federal do Recôncavo (UFRB) e do Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec) na Bahia, essas pesquisas vêm sendo desenvolvidas em universidades como a Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Universidade Federal de Viçosa (MG). “Estamos em busca de novas alternativas para a melhoria do plantio e novas utilizações para toda a planta, não somente da fibra. Com o aproveitamento de todos os resíduos oriundos da planta, o produtor terá a possibilidade de uma melhor renda e do seu sistema de produção”, afirma Ana Cristina, pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da UFRB, que apresentou durante o workshop a pesquisa Cultura do sisal na Bahia. Biofábrica:

produção massal de mudas micropropagadas: Controle Biológico da podridão vermelha do sisal; Desenvolvimento de nematicida, fungicida; Produção de cogumelos em resíduos de sisal. “Estamos intensificando a parceria com outras instituições e trabalhando no projeto de implantação da biofábrica de produção de mudas de qualidade em larga escala, pois PE muito importante para a aplicação de tecnologia no campo com o intuito de melhorar a produtividade e o controle de doenças”, destacou.