Projetos de pesquisa em Segurança Pública foram apresentados na Fapesb

29/05/2015
Se antes, a Polícia Técnica da Bahia demorava até seis meses para obter a identificação do DNA de uma ossada, hoje, o resultado pode ser apresentado em até uma semana ou, no máximo, em um mês, a depender dos casos. A maior agilidade foi alcançada com o apoio de editais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), contribuindo para transformar o Laboratório Central de Polícia Técnica numa referência na área de análise de DNA em amostras de provas periciais.

Fruto de uma parceria da Fapesb, órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), com a SSP, o aporte em editais de segurança pública somam mais de R$1,5 milhão, resultando no apoio à realização de 31 projetos em diversas linhas de pesquisas, que visam reduzir os índices de violência e criminalidade no Estado e contribuir para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras na área de segurança pública. Dezoito desses projetos, já em aplicação, foram apresentados ontem (dia 13/05), por seus respectivos coordenadores e grupos de pesquisas durante o III Seminário de Avaliação dos Projetos Apoiados nos Editais de Segurança Pública da Fapesb.

Dentre os projetos, figurou o Desenvolvimento de metodologia e tecnologias para a realização de perícias criminais em amostras Low Copy Number (tecido ósseo, haste de cabelo, tecido de dentina e tecidos degradados, dentre outros organismos). No valor de R$ 125 mil, o projeto, executado pelo ICAP/DPT-BA, possibilita a análise do DNA para identificação de amostras forenses, como por exemplo, a prova de paternidade e de casos incesto, dentre outras atividades.

“Agora, já podemos investigar o DNA pela haste de cabelo de até 0,5 cm, o que, antes, era impensável. Como também o DNA através de pêlos de animais”, informou o coordenador de Genética Forense do Departamento de Polícia Técnica da Bahia, Eugênio Soares Nascimento, responsável pelo projeto. Outro projeto apresentado no Seminário, também a cargo do ICAP/DPT-BA, foi o de desenvolvimento de metodologia para documentação e análise de indícios e atividade de navegação na internet, aplicada á área forense.

O projeto tem por objetivo criar uma metodologia para analisar, na navegação virtual, arquivos, cachê, chaves de registro ou qualquer outro registro gravado em computador suspeito, determinando suas localizações, estrutura e conteúdo. “Trata-se uma importante ferramenta no combate ao roubo de dados bancários, um crime que está migrando para Internet, devido ao baixo risco de se expor a confrontos poli cais e movimenta, no Brasil, R$ 1 bilhão, por ano”, observou o coordenador do projeto, perito policial Marcelo Antônio Sampaio Lemos.

Evento homenageou a memória de Gey Espinheira

O III Seminário foi aberto com uma homenagem ao sociólogo Gey Espinheira, falecido recentemente e que dedicou boa parte de sua vida aos estudos das causas e à prevenção da violência, sobretudo nos bairros populares de Salvador. Foi, inclusive, coordenado por Gey, o primeiro projeto apresentado na Fapesb pelos professores Patrícia Schmith e Antônio Mateus Soares. Através da convivência, arte e criação, o projeto foi aplicado entre jovens do bairro da Mata Escura, a fim de elevar a consciência dos direitos da cidadania e da capacidade de reivindicação desses direitos, elevando, assim, os níveis de convivência social e da solidariedade interpessoal e coletiva.

“Esse seminário é a confirmação de que Ciência e Tecnologia estão a serviço da sociedade, como um todo e de que o setor de segurança pública não pode prescindir da pesquisa e da inteligência”, observou o superintende de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Secti, Paulo César Bastos. Já o diretor de Inovação da Fapesb, Elias Ramos, disse que os projetos em aplicação consolidam a parceria da área de C&T com a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar. “Todos estes trabalhos estão sendo aplicados para aumentar a segurança do cidadão e para sirvam de exemplos para outros Estados”, afirmou, por sua vez, o superintendente de Gestão Integrada da SSP, Expedito Teixeira.

Projetos contemplaram universidades públicas e privadas

Dos 31 projetos apoiados pela Fapesb, 22 contemplaram as universidades públicas e privadas (UFBA, UESC, UEFS, UESB, UNIFACS, FBDC), sete foram tocados pelo Departamento de Polícia Técnica, um pela Polícia Militar e outro pela Polícia Civil.

O seminário promoveu a integração dos diversos pesquisadores e difundiu as pesquisas desenvolvidas com a comunidade acadêmica, científica e organizações do sistema de segurança pública. Ao todo, foram avaliados 18 projetos, provas técnicas de crime e influência do espaço urbano na prevenção da violência