Cientistas buscam formas de combate à desertificação

28/05/2015
“As soluções devem ser pensadas agora. Por isso, é importante esse intercâmbio de informações como ocorreu aqui, para que estejamos preparados para enfrentar os problemas originados pela desertificação, como o êxodo rural. Ao mesmo tempo, vamos conscientizando a sociedade sobre a importância da diminuição na emissão de poluentes e na busca por tecnologias limpas”, sinalizou o secretário do Meio Ambiente, Juliano Matos, em seu discurso de encerramento do encontro.

Para avaliar o problema de perto, técnicos do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema), estão indo a campo identificar as áreas vulneráveis – em risco climático – na Bahia, que tem 62% de seu território no semi-árido, o equivalente a 300 mil quilômetros quadrados, abrangendo 258 municípios.

A iniciativa integra as ações do Plano Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAN-Bahia).
A principal causa da desertificação é a degradação da terra em áreas áridas e semi-áridas, em decorrência de atividades humanas. Essa lista inclui queimadas, desmatamento desordenado das nascentes e das matas ciliares, desflorestamento e uso intensivo do solo na agricultura, com irrigação mal conduzida e manejo incorreto. Entre as conseqüências, estão o empobrecimento do solo (e a perda de sua capacidade produtiva), as migrações em massa para os grandes centros urbanos, o aumento da pobreza, o agravamento dos problemas relacionados à infra-estrutura nas cidades e as perdas econômicas, que podem chegar a R$ 5,6 bilhões por ano em todo o Brasil.

“Como forma de prevenção e combate ao problema, deve existir o engajamento dos órgãos federais, estaduais e municipais em busca de soluções. Além disso, deve haver a constituição de uma base sólida de conhecimento sobre o tema e a ampliação da rede de pesquisadores que se dedicam ao assunto”, afirmou José Roberto de Lima, coordenador do Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da seca (PAN-Brasil), do Ministério do Meio Ambiente.

No mundo inteiro, a desertificação atinge 33% da superfície emersa do planeta. Nas áreas afetadas pelo fenômeno, moram mais de 2,6 bilhões de pessoas – 42% da população mundial. Na América Latina, mais de 516 milhões de hectares são afetados pela desertificação, enquanto que no Brasil, 32 milhões de pessoas vivem em áreas suscetíveis ao problema, sobretudo no Nordeste e no norte de Minas Gerais e Espírito Santo.