“Mas o cacho do licuri, oh Zé, tá maduro pra cair. Os olhos do meu bem, oh Zé, tá fechando pra dormir”. O trecho da cantiga popular retrata um cenário comum na região do semiárido baiano, principalmente no município de Caldeirão Grande-BA, a 340 km de Salvador, onde agricultores familiares tiram o sustento do manejo do licuri.
Através do projeto Tecsol, parceria da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti) com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Instituto Federal da Bahia (Ifba), 36 famílias que participam da Cooperativa dos Produtores e Beneficiadores do Licuri, do Município de Caldeirão Grande/BA (Cooperlic), têm recebido apoio e qualificação para melhorar sua forma de subsistência.
“Antes, o licuri era quebrado, através de um sistema precário, utilizando pau ou pedra. Hoje, com o projeto Tecsol, por meio da aplicação de tecnologia social, existe a valorização do fruto, onde o resultado é a geração de renda à população local e melhoria das condições de trabalho e qualidade de vida dos envolvidos”, sinaliza Ticiane Souza, coordenadora da Superintendência de Desenvolvimento Científico da Secti.
Com as qualificações ministradas pelo Tecsol, os agricultores perceberam que é possível aproveitar a cadeia produtiva do licuri, desde a palha até a amêndoa, na produção de artesanato, barra de cereal, paçoca, licor, leite de licuri e outros. “Foi realizada a primeira Expolicuri, organizada pelos agricultores, onde considero um marco no avanço do projeto, onde eles conseguiram expor seus produtos. O licuri, hoje é uma pérola que o seminário tem e eles conseguiram preservar”, disse a gestora do projeto e engenheira química do Ifba, Djane Santiago.
Outro passo importante foram às aquisições de balanças, freezers, geladeiras, mesa para cozinha, liquidificador industrial, máquina seladora, processador de alimentos, computador, projetor multimídia, tela de projeção e veículo tipo Mini-Bus para 16 passageiros, que ajudam na infraestrutura de produção da Cooperlic.