Professoras de Feira de Santana investigam transmissão da Covid-19 por assintomáticos

20/12/2021
Primeira etapa da pesquisa realizou 1.400 testes no mês de abril e maio, com 14% dos indivíduos infectados e sem sintomas

A covid-19 é uma doença que atinge o mundo inteiro. Estudar e entender como esse vírus funciona no organismo das pessoas é de suma importância para controlar a pandemia. Com o objetivo de contribuir para a investigação desse patógeno, as professoras Erenilde Marques e Maricélia Maia de Lima, da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), lideraram a pesquisa “Vigilância Epidemiológica e Genômica da Covid-19 de indivíduos em Grandes Áreas de circulação em Feira de Santana” com o foco nas pessoas que apresentavam a infecção, mas não tinham nenhum tipo de sintoma.

Erenilde Marques destaca que um dos propósitos do estudo é descobrir se os assintomáticos contribuem para a propagação da covid-19. “A pesquisa surgiu com o intuito de fazer essa detecção de indivíduos assintomáticos. Porque nós sabemos que a doença atinge pessoas que irão apresentar sintomas leves, graves ou nenhuma ocorrência. Então, queríamos saber se essa cadeia de transmissão estava sendo mantida por essas pessoas que não tinham nenhuma manifestação e que circulavam livremente”.

A coleta de dados para pesquisa, que teve apoio da Secretaria de Saúde da cidade e do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), foi realizada nos meses de abril e maio. Foram feitos 1.400 testes e 14% dos indivíduos estavam assintomáticos. “Esperávamos encontrar um percentual de positividade em até 5%, encontramos 14% infectados sem nenhum sintoma circulando pelas ruas. O nosso maior objetivo foi mostrar que as pessoas podem estar assintomáticas e contaminadas com a covid-19, o que mantém a cadeia de transmissão da doença”, diz Erenilde Marques.

O estudo, que tem uma parceria com o professor Luiz Alcantara, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), está na segunda etapa. Neste mês, novos testes são realizados para execução da fase dois. “Nesse segundo momento do estudo, teremos um critério de inclusão. Classificaremos pessoas infectadas que estão sem sintomas e que tenham sido vacinadas. Queremos ver o comportamento do vírus frente à vacinação. Como temos o percentual de cerca de 60% da população já vacinada em Feira de Santana, então, precisamos investigar se o vírus ainda mantém a mesma dinâmica ou se vamos encontrar menos assintomáticos infectados”, explica.

Segundo Erenilde, esse tipo de investigação é importante para entender o funcionamento da transmissão, bem como constatar a variante que está em circulação. Por exemplo, nas informações liberadas em junho, a variante Gama foi identificada em 100% dos testes positivos.
“Esse estudo é importante para identificarmos a dinâmica de transmissão da covid-19. Porque quem mantém a cadeia de transmissão são as pessoas que estão com o vírus no corpo. Ao identificarmos que a pessoa está doente, nós avisamos, pedimos para fazer o isolamento domiciliar e monitoramos o paciente. A partir disso, testamos os parentes e contatos próximos. Em caso de positivo, também realizamos o monitoramento. Todo esse processo ajuda a controlar a transmissão do vírus”, afirma.

Bahia Faz Ciência
 
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