Cartilha vai ajudar a combater abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes

28/05/2015
“Antes de prepararmos a cartilha, fizemos encontros periódicos com moradores do Bairro da Paz, Pau da Lima e Castelo Branco para, primeiramente, entender como eles enxergam a violência sexual e, posteriormente, prepararmos um instrumento que pudesse falar a linguagem deles”, explica Miriam Rabelo, coordenadora da pesquisa que deu origem à cartilha. Segundo Miriam, a iniciativa incluiu também a realização de um curso de capacitação das lideranças religiosas e das associações dos bairros visitados, no qual foram abordados os aspectos psicológicos e sociais do abuso, além de questões legais, como a importância da denúncia e as punições previstas para os autores dos crimes.

Feito por antropólogos e sociólogos da UFBA, todo o estudo levou dois anos até a confecção da cartilha e contou com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). O crescimento de denúncias sobre abuso e exploração sexual vem preocupando também o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves Roussan (Cedeca). “Apesar de percebermos, a cada ano, um aumento significativo na quantidade de denúncias feitas, sabemos que, na realidade, esses crimes acontecem em maior número do que as denúncias indicam”, explica o coordenador do Cedeca, Valdemar Oliveira.

“O agressor freqüentava nossa casa” – Para Carlos (nome fictício), morador do centro da cidade, a cartilha pode ajudar pais, que, como ele, teve sua filha de 13 anos abusada por um vizinho. “Nós freqüentávamos a casa dele, e ele a nossa”, explica Carlos, reforçando as estatísticas que dão conta de que a maioria dos abusos sexuais contra crianças e adolescentes é cometida por pessoas próximas, sejam parentes ou amigos da família.

“Percebi que ela andava muito nervosa e afastada, mas só depois de cinco meses desde que foi abusada, conseguiu dizer o que tinha acontecido”, afirma o pai. “Arrasado”, como Carlos se define após saber do que houve com a filha, ele foi até a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Criança e o Adolescente e prestou queixa contra o agressor. Hoje, a adolescente está recebendo tratamento psicológico no Cedeca. “A recuperação é lenta, mas tenho esperança de que minha filha vai voltar a ter uma vida normal, sem traumas”, afirma.

Quem pode ajudar – O efeito da mobilização de órgãos de proteção a crianças e adolescentes contra crimes de abuso e exploração sexual pode ser sentido no aumento das denúncias feitas, passando de 225 em 2005 para 1.229 no ano passado, segundo dados do Dique 100. “Ainda há muito a fazer para que as pessoas tomem consciência da importância de denunciar um agressor, deixando de ser omissas”, acredita Valdemar Oliveira, coordenador do Cedeca. Para a pesquisadora Miriam, que aposta na mesma direção, “a relação de dependência de caráter financeiro ou afetivo das mães das vítimas com os agressores dificulta muito a denúncia”.

Para obter aconselhamento quanto ao assunto ou mesmo denunciar uma situação de abuso ou exploração sexual de crianças e adolescentes, basta procurar um dos órgãos abaixo:

Cedeca – Centro de Defesa da Criança e do Adoelscente Yves Roussan
Rua da Conceição da Praia, 32 – Comércio
(71) 3243-8794

Viver – Serviço de Atenção a Pessoas em Situação de Violência Sexual do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues
Av. Centenário, s/n
(71) 3117-6700

Centro de Referência Sentinela
Av. Mario Leal Ferreira, s/n – Bonocô
(71) 3382-3884

CMDCA – Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente
Ladeira dos Aflitos, 15 – Centro
(71) 3329-6516 / 3328-7737

Ministério Público Estadual – Promotoria da Infância e Juventude
Av. Joana Angélica, 1.312 – Nazaré
(71) 3103-6400

Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Criança e o Adolescente
Av. ACM (ao lado da Igreja Universal)
(71) 3116-2153

Disque Denúncia Estadual
(71) 3235-0000

Disque Denúncia Nacional
100