Nova máquina de desfibrar o sisal concretiza um sonho de 23 anos

01/06/2015

Acalentado durante  23 anos, um sonho dos trabalhadores da  cadeia produtiva do sisal Bahia – a substituição, por um equipamento moderno e seguro, das antigas máquinas de desfibrar o sisal, que causaram  centenas de mutilações de dedos, mãos, braços e antebraços na região sisaleira – começou a virar realidade, na manhã de hoje (dia 16), na Casa Brasil, em Valente. O Ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel e o Secretário Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Feliciano Tavares Monteiro entregaram as primeiras 140 novas máquinas de um lote de duzentas.

Com isso, a antiga e perigosa máquina Paraibana começa a ser substituída pela Faustino V, equipamento idealizado pelo inventor autodidata José Faustino dos Santos e melhorado depois de uma série de testes. A nova máquina oferece uma série de vantagens em relação à Paraibana: é mais segura, com risco zero de mutilações de trabalhadores, exige menor esforço físico do operador, consome menos combustíveis, desperdiça menos, apresenta um maior rendimento e ainda pode ser deslocada com mais facilidade de uma roça a outa.

 

As 140 unidades do novo equipamento  vão beneficiar diretamente 3.612 agricultores familiares principalmente dos municípios de Serrinha, Conceição do Coité, Valente, Santa Luz, Queimadas, Araci, São Domingos, Itiuba, Riachão do Jacuípe, Retirolândia, do Território do Sisal e Bacia do Jacuipe. Para sua fabricação, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Secretaria estadual de Ciência, tecnologia e Inovação investiram R$ 1 milhão. A busca por  uma máquina mais segura foi uma promessa do Presidente Lula que se compadeceu dos trabalhadores mutilados pela Paraibana (há quem fale em cerca de 3 mil acidentes de trabalho do gênero) e prometeu se empenhar pela fabricação de um equipamento moderno e seguro.

“A gente não está, aqui, apenas colocando uma máquina nova no mercado. A gente está, aqui, livrando os trabalhadores das mutilações”, afirmou o ministro Guilherme Cassel, para uma platéia de empresários, sindicalistas, políticos e trabalhadores rurais, que lotaram a Casa Brasil, em Valente. “Não é razoável que, no início do Século 21, era de grandes progressos, como a velocidade da informação, as pessoas continuem a perder as mãos para ganhar a vida”, acrescentou. O ministro disse ainda que estava em Valente cumprindo a promessa do Presidente Lula.

O secretário de CT&I, Feliciano Tavares Monteiro classificou o novo engenho de “uma inovação com a cara da Bahia e a marca de um inventor que veio do povo”. Ele disse que a SECTI, com o auxílio da tecnologia, vai procurar encontrar uma solução para a podridão vermelha, uma praga que atinge o sisal e que vem preocupando os produtores da região sisaleira. A Chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Eva Chiavon, observou que, a cada visita que fazia a Bahia, o Presidente Lula perguntava se a nova máquina do sisal já estava pronta. Eva afimou que “o momento é de  se comemorar e chamou a atenção para um novo desafio da região sisaleira: agregar mais valor á cadeia produtiva do sisal, o que passava pela modernização das máquinas e pela inovação

O diretor-executivo da Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira da Bahia (APAEB), Ismael Ferreira disse que  a entrega das máquinas “representa um momento histórico e importante para todos os que sonham com a melhoria da qualidade de vida do trabalhador do sisal”. O depoimento mais emocionado ficou por conta de Gilka Moraes, do Conselho Regional de Desenvolvimento Rural Sustentável da Região Sisaleira da Bahia (Codes). “Nós vamos ser as mulheres dos trabalhadores do sisal e não mais as mulheres dos mutilados, como se dizia por aí”, orgulhou-se Gilka. Antes da entrega das máquinas, enfileiradas na praça, a comitiva que foi a Valente conheceu a Fábrica de Tapetes e Carpetes da APAEB.     

Sisal emprega cerca de 700 mil pessoas na Bahia

A cultura do sisal possibilita a sobrevivência de aproximadamente 700 mil pessoas em mais de 260 mil hectares da cultura, distribuídos em mais de 40 municípios do Semiárido baiano, englobando os Territórios de Identidade do Sisal, Chapada da Diamantina, Piemonte da Diamantina, Semiárido Nordeste II, Sertão do São Francisco, Piemonte do Paraguaçu, Bacia do Jacuípe, Irecê, Vale do Jiquiriçá e Piemonte Norte do Itapicuru. Sendo que em mais da metade destes Territórios do sisal é a fonte de renda mais importante.

O Brasil é o maior exportador de sisal do mundo, com uma produção anual de 119 mil toneladas, o que corresponde a 56% da safra mundial. É também o maior produtor mundial de sisal, com uma fatia de 40% do mercado. A Bahia é o principal produtora de sisal do território brasileiro, contribuindo com 94% da produção nacional.