No mês de junho de 2012, o Brasil volta a sediar a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, tendo como foco as questões ambientais, o RIO + 20. Até lá, a Bahia também tem se preparado para se inserir nas discussões. No lançamento da edição n° 21 da revista Bahia Análise & Dados (A&D) - Mudanças Climáticas foi possível debater o conteúdo da publicação que é uma das prioridades da Conferência.
A revista A&D é da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan), e teve na sua apresentação a opinião de gestores públicos e acadêmicos sobre as mudanças climáticas. Na abertura o diretor-geral da SEI, Geraldo Reis, ressaltou o compromisso do órgão com temas inovadores, auxiliando sociedade civil e gestores em questões práticas: “Atualmente o Brasil é protagonista do cenário internacional no que tange as questões ambientais, dessa forma a política doméstica tem responsabilidade em adotar posições mais enfáticas e substanciais, compatibilizando na estratégia de desenvolvimento as esferas do crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e inclusão social”, explanou Geraldo.
No decorrer da atividade o secretário do Planejamento, José Sergio Gabrielli, explicou os motivos que levam a uma baixa expectativa nos compromissos de redução das emissões de CO2 no Rio + 20. A alternância de paradigmas vinte anos depois do ECO-92 tem como fatores, segundo o secretário, o protagonismo de países em desenvolvimento como China, Índia, África do Sul e Brasil, dotados de desafios prioritários na superação da pobreza. “Não podemos absorver regras de quem destruiu suas florestas, e produz fora do país, para um consumo interno alto. Precisamos combinar o produtivismo com a minimização dos efeitos sobre o planeta”, afirmou o secretário.
Gabrielli também lembrou que as fontes de baixo carbono não apresentam perspectivas de crescimento proporcionais às necessidades econômicas e sociais: “O mundo moderno é intensivo em energia, e o combate pobreza é mais ainda”. No caso especifico da Bahia, o secretário exemplificou o dilema no semi-árido, dotado de deficiências hídricas e sociais, e colocou as mudanças comportamentais como caminho de superação do atual estágio de consumo de combustíveis fósseis.
Já Edson Valadares, coordenador do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Bahia (Codes), discorreu sobre a construção de agenda, integrada por governos e sociedade civil, para fortalecer o protagonismo brasileiro no tema ambiental. O documento que deve ser apresentando pelo Brasil no RIO + 20, segundo Valadares, reafirma a necessidade da efetivação da Agenda 21, e acrescenta desafios novos, entre os quais, indicadores para medir o desenvolvimento sustentável, e eixos de eficiência energética, recursos hídricos e educação ambiental.
O pesquisador do Centro Brasileiro de Energia, Lívio Soliano Pereira, apresentou alternativas para redução da emissão de CO2, em especial para Bahia, com grande potencial de fontes alternativas como eólica e radiação solar, porém incipientes, devido subsídios aos combustíveis fósseis: “As energias renováveis não conseguem competir”, justifica o pesquisador. Soliano exemplificou que o setor de transportes pode adotar veículos mais eficientes na utilização dos combustíveis, bem como mudança no modal, incorporando transportes não motorizados; já os biocombustíveis apresentam limites, segundo o pesquisador “Não temos terra suficiente, a não ser que mude a forma de captura dos carros”.
Asher Kiperstok, coordenador geral da Rede de Tecnologias Limpas (TECLIM), deu prosseguimento às discussões durante o lançamento. Segundo Asher a revista Análise & Dados é um espaço que discute seriamente as mudanças climáticas, contudo, explicitou a ausência de preparo do Estado para o tema: “A questão é sobreviver aos processos de mudança, é necessário adaptação”, citando como exemplo os impactos no abastecimento de água na região metropolitana de Salvador. O professor também defendeu novos paradigmas no desenvolvimento econômico, baseado nos recursos tecnológicos e inovação, e não no aumento do consumo.
Os interessados em obter a revista Bahia Análise & Dados – Mudanças Climáticas podem comprar na biblioteca da SEI, Rômulo Almeida, por R$ 15,00, ou baixar gratuitamente em formato pdf no site www.sei.ba.gov.br.