O diretor-geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Geraldo Reis, publicou artigo na edição de sexta-feira (07), do Jornal A Tarde analisando o desenvolvimento socioeconômico baiano. Reis comenta a atual conjuntura econômica salientando a captação e ampliação dos novos investimentos no estado.
O diretor-geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Geraldo Reis, publicou artigo na edição de sexta-feira (07), do Jornal A Tarde analisando o desenvolvimento socioeconômico baiano. Reis comenta a atual conjuntura econômica salientando a captação e ampliação dos os novos investimentos no estado.
Confira o artigo na íntegra:
Economia Baiana: a maturação de um novo ciclo
Geraldo Reis
É de conhecimento público a forma como se deu o desenvolvimento socioeconômico da Bahia nos últimos cinquenta anos. Este processo é caracterizado pelos especialistas como impulsionado a partir de fora e com investimentos em momentos estanques. As grandes marcas desse processo são sempre lembradas: a construção da RELAM, do Centro Industrial de Aratu, a implantação do Pólo Industrial de Camaçari, a expansão da celulose no extremo sul, a produção de grãos no oeste, da fruticultura em Juazeiro, o turismo no litoral norte e a instalação da Ford. Esse padrão de desenvolvimento ficou caracterizado como concentrador do ponto de vista econômico, tanto setorial como espacialmente, deixando como herança uma grande exclusão social, inclusive, com o maior quantitativo de pobres entre todos os estados da federação.
Mudar o padrão de desenvolvimento e buscar uma nova inserção da Bahia na divisão regional do trabalho não é uma tarefa simples, entretanto, nos últimos anos, mudanças substanciais vem ocorrendo. Como se sabe, a estratégia de crescimento econômico com inclusão social, implementada desde a primeira gestão do Governo Lula, vem tendo grandes impactos. No período de 2002 a 2009, a pobreza na Bahia caiu pela metade, de 20,3% para 10,1%, e de acordo com a RAIS, o estoque de empregos formais evoluiu de 1,3 milhão para 2,1 milhões, significando um crescimento percentual de 63% entre 2002 e 2010. As implicações da recente opção por um desenvolvimento com menos desigualdades sociais e espaciais colocam a Bahia num patamar socioeconômico que abre possibilidades para uma nova fase do crescimento do estado.
Resultados promissores referentes à geração de novos postos de trabalho, a elevação média do PIB nos últimos cinco anos (3,9%) e, principalmente, o aumento no volume de investimentos previstos abrem perspectivas de ampliação da base econômica da Bahia. A Bahia entra num ciclo virtuoso de captação e ampliação de investimentos, inclusive, atuando no elo mais fraco da cadeia de recuperação, quando estão previstos, a partir de 2012, R$ 48,7 bilhões para a indústria, distribuídos entre projetos em realização e novos protocolos anunciados. Considerando o recorte entre 2012 e 2015, tem-se uma previsão de investimentos privados de R$ 62,3 bilhões e R$ 7 bilhões de investimentos públicos, algo como o valor de seis Pólos Petroquímicos de Camaçari. Os investimentos serão distribuídos em 463 empreendimentos, concentrando-se nas áreas de mineração e energia (48%) e outras áreas significativas.
Vale registrar alguns dos novos investimentos previstos: ampliação da Ford (R$ 2,8 bilhões), implantação da Jac Motors (R$ 900 milhões), do parque aeólico (R$ 8,6 bilhões), do pólo naval (R$ 5,3 bilhões), da nova planta da Veracel (R$ 6 bilhões) e da Basf (R$ 1,2 bilhão), investimentos da Bahia Mineração (US$ 1,6 bilhão), entre outros. O ciclo virtuoso de investimentos vai estimular outras indústrias a se instalarem na Bahia, atraídas pelo parque industrial em consolidação e pela ampliação da infraestrutura logística, possibilitada pelos investimentos no metrô da Av. Paralela, pólo naval, Via Expressa e FIOL, e pelo novo plano do Governo Federal de concessões de portos, aeroportos e rodovias, entre outros – aumentando a competitividade de nossas exportações. Somados à concretização dos investimentos públicos e privados, o circuito de negócios a ser gerado pela Copa do Mundo de 2014, entre eles a Arena Fonte Nova, e os investimentos previstos nos PACs 1 e 2, consolidam um conjunto de desdobramentos positivos na estrutura produtiva do estado.
Além destes aspectos, a despeito da crise econômica internacional, do baixo crescimento da atividade econômica no plano nacional e da seca, a Bahia fechou o semestre com crescimento de 3,6% e projeção de 3,7% para o ano. Nesse segundo semestre deveremos assistir um reaquecimento da economia nacional com fortes repercussões no conjunto da economia baiana. Portanto, é possível afirmar que está se descortinando uma nova e consistente fase do desenvolvimento econômico da Bahia.