Secretário do Planejamento publica artigo no jornal A Tarde

Publicado: 11/09/2012 Última atualização: 06/10/2026 às 09:50

O secretário do Planejamento do Estado da Bahia, José Sergio Gabrielli, publicou artigo na edição desta terça-feira (11), do Jornal A Tarde, abordando o PIB baiano e comparando-o com o brasileiro.



O secretário do Planejamento do Estado da Bahia, José Sergio Gabrielli, publicou artigo na edição desta terça-feira (11), do Jornal A Tarde, abordando o PIB baiano e comparando-o com o brasileiro.

Confira o artigo na íntegra:

Por que o PIB da Bahia cresce mais do que o do Brasil?
José Sergio Gabrielli

Alguns analistas contestam a hipótese de que o PIB baiano esteja entrando em uma trajetória descolada do PIB brasileiro. Aqui procuramos demonstrar porque isso ocorre, além de situar o debate nos detalhes que ele requer e identificar as mudanças que esse descolamento pode revelar.

Na crise mundial de 2007/2008 foi intensificada a discussão sobre os porquês das economias emergentes resistirem à crise financeira que impactava, sobretudo, os Estados Unidos e a Europa. A questão era simples: se o comércio é cada vez mais globalizado e isso envolve fluxos produtivos e financeiros, seria de esperar uma maior convergência das taxas de crescimento e não uma divergência dessas trajetórias. Mas isso não ocorreu.

A redução do crescimento americano e europeu pós 2007 não foi seguida pelos países emergentes, que continuaram com taxas de expansão de seus PIBs superiores aos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Uma das principais razões para esse descolamento foi a vitalidade dos mercados internos dos países emergentes e a distribuição de renda que acompanharam suas trajetórias de crescimento nos últimos anos.

É claro que quando vamos para o plano subnacional esses temas precisam ser qualificados. Um dos motivos é que cada região está submetida à mesma política macroeconômica e, portanto, os fluxos de mercadorias, serviços e pessoas se relacionam mais com fatores dinâmicos de longo prazo do que as flutuações cíclicas de curto prazo. Mas existe ou não um descolamento entre o crescimento do Brasil e algumas regiões? Um fato é que a maior parte do PIB brasileiro está na região Sudeste, o que determina seu crescimento. Então, o que acontece nos outros estados?

Na Bahia, no primeiro trimestre de 2011, a indústria de transformação, maior expressão do PIB Industrial, foi afetada pela falta de energia. No 1º trimestre deste ano, com a base de comparação deprimida, a indústria de transformação cresceu 6,1%. No Brasil, o resultado foi -2,6%. É claro que, como lembram certos analistas, a falta de energia é relevante para efeitos estatísticos, pois a produção não se realizou, mas o fato de o nosso parque industrial ser dependente da dinâmica nacional, explica a não-recuperação.

Outros setores, como serviços, que representam quase 2/3 do PIB baiano, crescem, sistematicamente, a taxas superiores à brasileira. Observe os números dos quatro últimos trimestres: 4,3% (3º trimestre 2011), 2,0% (4º trimestre 2011), 4,1% (1º trimestre 2012). No Brasil, no mesmo período, as taxas de crescimento foram, respectivamente, 2,0%, 1,4%, 1,6% e 1,5%. No que se refere à construção civil, o descolamento é ainda mais visível. Na Bahia, o setor cresceu  9,6%, 4,9%, 8,9% e 4,4%. No Brasil, 3,8%, 3,1%, 3,3% e 1,5%. E agora, percebe o descolamento?

Analisemos os números do comércio, sempre com a lógica dos últimos quatro trimestres. Na Bahia, 6,7%, 1,3%, 4,6% e 7,9%, enquanto que os dados brasileiros foram 1,7%, 1,3%, 1,6% e 0,2%. Na agropecuária, devido às características dos produtos e a diferenciação entre as regiões, os números da Bahia foram -2,1%, 2,6%, 11,5% e 10,4%. Já no Brasil, 1,7%, -8,5%, 8,4% e 6,9%. As taxas são convergentes ou divergentes?

Na indústria baiana esperaríamos uma diferenciação maior devido à falta de energia, mas vamos aos dados. As taxas dos últimos quatro trimestres foram 0,2%, 4,7%, -3,4% e -1,7%, enquanto a indústria brasileira estagnava seu crescimento, variando ciclicamente seu PIB setorial com taxas de -2,4%, 0,1%, -0,4% e 1,0%.

O processo de distribuição de renda com os programas sociais e maior oferta de crédito, além de uma política de aumento do salário mínimo, formalização do trabalho e elevação do nível de emprego e renda, ativou o mercado interno. Isso criou um ciclo virtuoso que diferencia regiões que partem de um grau de pobreza maior em relação a outras com um nível de renda superior. O crescimento rapidamente encontra limites na capacidade logística da região emergente, mas isso é assunto para outro artigo.