A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (DIEESE), divulgou hoje o resultado da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Salvador (PED-RMS) sobre a população negra no mercado de trabalho, entre 2010 e 2011. Durante este período, houve geração de 14 mil postos de trabalho na Região Metropolitana de Salvador (RMS), resultado do acréscimo de 39 mil postos entre a população negra e a redução de 25 mil ocupações para os não-negros.
A Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (DIEESE), divulgou hoje o resultado da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Salvador (PED-RMS) sobre a população negra no mercado de trabalho, entre 2010 e 2011. Durante este período, houve geração de 14 mil postos de trabalho na Região Metropolitana de Salvador (RMS), resultado do acréscimo de 39 mil postos entre a população negra e a redução de 25 mil ocupações para os não-negros.
Em termos relativos, enquanto o contingente de ocupados não-negros decresceu 12,0%, o de negros elevou-se 2,9%. O incremento verificado na ocupação permitiu a saída de 26 mil pessoas da situação de desemprego, sendo a maioria negra (22 mil) e, principalmente, mulheres negras (18 mil). O desempenho positivo da ocupação contibruiu para a redução da taxa de desemprego total que passou de 16,6% para 15,3% da População Economicamente Ativa (PEA) e, de maneira mais acentuada, para as mulheres negras. Por outro lado, a taxa de desemprego aumentou apenas entre as mulheres não-negras.
O declínio da taxa de desemprego total decorreu do comportamento de suas componentes – a taxa de desemprego aberto (de 11,0% para 10,4%) e a taxa de desemprego oculto (de 5,6% para 4,9%). A taxa de desemprego aberto diminuiu entre os negros e permaneceu relativamente estável entre os não-negros. Porém, ainda que tenha ocorrido elevação da ocupação e diminuição do nível de desemprego para a população negra, a incidência do desemprego é mais acentuada entre os negros, que continuam sendo maioria entre os desempregados, em especial as mulheres negras, que representam 53,2% do total dos desempregados, o que confirma a manutenção da dupla discriminação no mercado de trabalho.
Contudo, ao se observar o peso relativo da população negra na População Economicamente Ativa da RMS, aproximadamente 90% em 2011, verifica-se que em termos absolutos a redução do contingente de desempregados foi mais positiva para os negros e em termos relativos para os não-negros. Em 2011, a saída 12 mil pessoas do mercado de trabalho regional foi resultado do aumento de 20 mil pessoas negras na PEA e da redução do contingente de não-negros em 32 mil pessoas.
Três setores se destacaram em 2011 em relação ao crescimento do emprego: a Construção Civil, com expansão de 17,8%, ampliando a ocupação apenas para os homens negros (19,8%); os Serviços Domésticos, setor no qual as mulheres negras são imensa maioria; e a Indústria, cujo aumento relativo de 10,2% foi exclusivo para a população negra, em especial as mulheres negras (14,8%). O setor de Serviços, por sua vez, apresentou decréscimo no nível ocupacional (3,6%), atingindo em menor intensidade os negros (-0,9%) e, de maneira mais acentuada, os não-negros (-20,1%).
Entre todos os setores, o único que perdeu importância relativa na estrutura ocupacional da RMS foi os Serviços, principalmente para os não-negros. A indústria aumentou a sua participação para quase todos os grupos, exceto para as mulheres não-negras, porém, a presença relativa de mulheres negras e homens não-negros cresceu no setor, entre 2010 e 2011. Já o Comércio elevou sobremaneira sua participação na estrutura ocupacional dos não-negros, enquanto diminuiu entre os negros.
Redução na jornada de trabalho e posições ocupacionais - Ainda em termos setoriais, entre 2010 e 2011, houve redução na carga horária semanal de trabalho da população negra, no setor de Comércio, com redução de uma hora na jornada de trabalho das mulheres negras e de duas horas para os homens -, enquanto entre os não-negros houve acréscimo - de uma hora para mulheres não-negras e de duas horas para homens não-negros, que passaram a apresentar a maior jornada média setorial, 48 horas. Já no setor de Serviços observou-se elevação para mulheres negras e para homens não-negros. Na Construção Civil houve redução de carga horária apenas para os homens negros; e nos Serviços Domésticos verificou-se redução apenas entre as trabalhadoras negras.
No que diz respeito às posições ocupacionais, no ano de 2011, em termos absolutos, aumentou a ocupação entre os negros no setor privado com carteira de trabalho assinada e diminuiu entre os sem carteira assinada; enquanto que para os não-negros a redução ocorreu em ambas as posições. Já no setor público houve redução da participação para todos os grupos, porém, em maior proporção para os não-negros que para os negros. Por outro lado, o emprego autônomo e doméstico aumentou apenas para os negros, em ambos os casos mais intensamente para as mulheres negras.