Apesar da queda do preço das commodities – bens agrícolas e minerais com cotação internacional – e do recuo na venda de produtos manufaturados, principalmente em função da desaceleração econômica de grandes consumidores, como a Argentina, a conta petróleo foi o principal responsável pelo déficit acumulado de US$ 1,093 bilhão na balança comercial da Bahia até abril de 2015, informou a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (SEPLAN). Se fossem abstraídas as importações e exportações de petróleo e derivados, a balança comercial do estado registraria superávit de US$ 252,6 milhões no ano.
Em abril, as exportações baianas atingiram US$ 632,2 milhões, 16,5% inferiores a igual mês do ano passado. As vendas externas permaneceram sob o impacto da expressiva redução dos preços dos principais segmentos vendido pelo estado no exterior: papel e celulose, soja e derivados, químicos e petroquímicos e derivados de petróleo. No caso dos derivados de petróleo, a perda de preços chegou a 52,5% até abril, enquanto que as vendas estão 78,7% abaixo de igual período do ano anterior. O setor também registrou redução nos embarques físicos em 55,3%, principalmente devido ainda a parada para manutenção em unidade produtiva na refinaria ocorrida nos primeiros meses do ano.
No acumulado até abril, as exportações baianas registram queda de 18%, alcançando US$ 2,26 bilhões. Além da queda na venda de produtos industrializados como derivados de petróleo e petroquímicos, as commodities do agronegócio seguem com perda de força em função da queda dos preços externos. O complexo soja (grão+farelo+óleo), mesmo com aumento de 21% no volume embarcado até abril, apresenta queda de 6,5% nas receitas, o mesmo acontecendo com a celulose, setor líder da pauta em 2015, que registra queda de 8,3% nas vendas, mesmo com alta nos embarques de 7,2%.
As importações, por sua vez, registraram crescimento de 25% em abril, alcançando US$ 702 milhões. Mais uma vez, as compras externas do estado foram alavancadas pelos combustíveis, reflexo da retração da cotação do petróleo no mercado global e das compras de Gás Natural Liquefeito (GNL), utilizado em larga escala no suprimento de usinas térmicas por conta da crise hídrica.
O volume das importações de combustíveis (gás, petróleo e nafta) tem sido determinante para o desempenho das importações baianas em 2015. Sem elas, as compras baianas do exterior registrariam queda de 5,7% até abril, resultado do fraco desempenho da economia doméstica e da redução da atividade industrial.